Operadores turísticos criticam quarentena de Portugal ao Reino Unido
28 de jun. de 2021, 15:09
— Lusa/AO online
“Com
Portugal continental na lista amarela, o que significa auto-isolamento
em casa no Reino Unido no regresso de uma visita ao país, o que muitos
aceitariam se pudessem trabalhar a partir de casa ou fossem reformados,
duvidamos que muitos britânicos (exceto talvez aqueles com uma segunda
casa em Portugal) queiram agora visitar” Portugal, comentou Noel
Josephides, diretor da Associação de Agências de Viagens Independentes
(AITO).Este
agente de viagens critica ainda a "confusão e a incerteza” que rodeiam
as regras anunciadas no domingo à noite pelo Governo português,
nomeadamente se os menores de 18 anos estão sujeitos ou isentos desta
medida. "Se os pais estiverem em quarentena, o que vai acontecer com as crianças?”, questiona.A
Associação de Viagens do Reino Unido (ABTA) lamenta o que considera ser
“mais uma restrição às viagens internacionais” e aconselha os
britânicos que não estejam vacinados e tenham viagens iminentes a
contactar o respetivo operador turístico.O
Governo português publicou na noite passada um despacho determinando
“um período de isolamento profilático de 14 dias, no domicílio ou em
local indicado pelas autoridades de saúde” para pessoas que cheguem do
Reino Unido.Os
passageiros provenientes do Reino Unido poderão, contudo, ficar
dispensados de confinamento "se munidos de comprovativo de vacinação
realizada nesse país, e que ateste o esquema vacinal completo do
respetivo titular, há pelo menos 14 dias, com uma vacina contra a
covid-19. Além do Reino Unido, nesta mesma lista “vermelha” encontram-se África do Sul, Brasil, Índia e Nepal. De
foram ficam as regiões autónomas dos Açores e Madeira, esta última
adicionada à “lista verde” de viagens de Inglaterra, Escócia e Irlanda
do Norte com efeito desde quarta-feira. No
início de junho, o Reino Unido retirou Portugal da "lista verde” de
viagens internacionais, passando-o para a “lista amarela” para
"salvaguardar a saúde pública contra variantes preocupantes".Na
altura, o Governo britânico justificou a decisão com a deteção em
Portugal de casos da variante B1.617.2, identificada pela primeira vez
na Índia, denominada pela Organização Mundial de Saúde por variante
Delta, "com uma mutação adicional potencialmente prejudicial”. As
autoridades de saúde portuguesas estimam que a variante Delta do
coronavírus seja atualmente responsável por mais de 70% dos casos de
infeção em Lisboa e Vale do Tejo e que já seja a predominante em
Portugal.De
acordo com o documento da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto
Nacional Doutor Ricardo Jorge (INSA), a variante Delta, considerada
pelos especialistas mais contagiosa e classificada como de preocupação
pela Organização Mundial de Saúde, está em “rápida expansão” em
território continental, “à semelhança do que aconteceu no Reino Unido”.Segundo
o INSA, apenas 3% dos casos devem pertencer à sublinhagem com a mutação
de interesse K417N, designada como Delta Plus e que era anteriormente
referida como a variante do Nepal.A
pandemia de covid-19 provocou pelo menos 3.925.816 de vítimas em todo o
mundo, resultantes de 181.026.547 casos de infeção diagnosticados
oficialmente, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP. Em
Portugal, morreram 17.086 pessoas e foram confirmados 875.449 casos de
infeção, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da
Saúde. A
doença respiratória é provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2,
detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.