Operação no Rio de Janeiro não tinha “ordem de matança”

4 de nov. de 2025, 17:23 — Lusa/AO Online

A dois dias da cimeira de líderes que antecede a Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP30) na cidade amazónica de Belém, o chefe de Estado brasileiro, durante uma entrevista com seis agências internacionais, entre as quais a Lusa, Lula da Silva frisou que a decisão do juiz para que autorizou a megaoperação era "uma ordem de prisão"."Não tinha uma ordem de matança", sublinhou o chefe de Estado brasileiro, defendendo que é necessário averiguar qualquer "tipo de falha ou se tem alguma coisa mais delicada da operação" de 28 de outubro que resultou na morte de pelo menos 121 pessoas."O dado concreto é que a operação, do ponto de vista da quantidade de mortes, as pessoas podem considerar um sucesso, mas do ponto de vista da ação do Estado, eu acho que ela foi desastrosa", frisou o chefe de Estado brasileiro.Lula da Silva reforçou: "vamos ver se a gente consegue fazer essa investigação”, até porque é "é importante ver em que condições se deu" a operação.Ainda assim, o chefe de Estado brasileiro reforçou que é necessário empenho por parte do Governo Federal e dos estados para “combater a facção [criminosa] e a brutalidade que existe em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Brasil”.“Nós estamos trabalhando de forma muito forte para que a gente possa tentar fazer com que a sociedade possa  viver em paz, em muita tranquilidade”, garantiu, recordando que na semana passada promulgou uma lei anti-facção que aumenta as penas de prisão para os membros destas organizações criminosas.Os complexos de favelas da Penha e do Alemão, situados numa região onde vivem cerca de 200 mil pessoas, foram palco na semana passada da operação policial mais letal já registada no Brasil.Até agora, o Governo do estado do Rio de Janeiro reconheceu 121 mortos, enquanto, a Defensoria Pública aponta que o número de vítimas mortais chega a 132.O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e as forças de segurança do estado celebraram publicamente a “bem-sucedida” operação que, segundo estes, teve apenas quatro vítimas, sendo estas os agentes que morreram durante a ação.A Secretaria de Segurança Pública do estado divulgou um primeiro relatório de identificação dos corpos, no qual afirma que a grande maioria dos 121 mortos tinha antecedentes criminais por delitos graves, como tráfico de droga e homicídio.Além dos 121 mortos, a polícia informou que 133 pessoas foram detidas e mais de 90 espingardas automáticas apreendidas.