Operação e contas da SATA motivam acesas trocas de palavras no parlamento dos Açores
8 de mai. de 2019, 15:03
— Lusa/AO Online
O hemiciclo
açoriano debateu, a pedido do CDS-PP, as contas mais
recentes da empresa açoriana, que teve prejuízos de mais de 50 milhões
de euros em 2018, mas os parlamentares trocaram também palavras sobre a
operação da SATA e sobre responsabilidades de gestão da empresa, num
debate que continua durante a tarde.No
arranque do debate, o líder do CDS/Açores, Artur Lima, pediu que fossem
retiradas "consequências políticas" das contas da empresa, lembrando o
executivo do papel da transportadora no avançar da economia açoriana."O
grupo SATA teve, em 2016, um prejuízo de 14 milhões de euros, em 2017
teve um prejuízo de 41 milhões de euros e, em 2018, um prejuízo de 53
milhões de euros. É preciso olhar para os números e retirar as devidas
consequências políticas", declarou o centrista.Pelo
PSD, o deputado António Vasco Viveiros sinalizou que a situação da SATA
"é desde há muitos anos motivo de preocupação crescente e generalizada
na região", elencando três áreas de alerta: as "questões operacionais,
resultantes do mau serviço que tem sido prestado", o "profundo
desequilíbrio financeiro, e mesmo falência técnica com capitais próprios
negativos", e os resultados negativos "que, só em 2017 e 2018,
totalizam quase 95 milhões de euros"."Como
foi possível chegar até aqui? Como foi possível uma empresa pública
perder desde que Vasco Cordeiro é presidente do Governo [dos Açores] 196
milhões de euros? Como foi possível uma empresa, com tão bons e
competentes profissionais, assistir à degradação dos seus serviços e à
ruína tão profunda do seu nome no mercado?", questionou o parlamentar.O
deputado do PS Carlos Silva lembrou que a atual administração da SATA,
liderada por António Teixeira, entrou recentemente em funções e "não se
consegue em poucos meses reestruturar uma empresa".O
socialista lembrou ainda o "papel essencial" da empresa "para a
economia da região" e para o turismo em concreto, cabendo depois ao
também deputado do PS Francisco César atacar o PSD, dizendo que os
socialistas pretendem que a empresa "continue a servir a região e os
açorianos" e o PSD não apresenta propostas para a SATA, mesmo com "72
notas de imprensa enviadas só pelo grupo parlamentar".Pelo
Bloco de Esquerda, o deputado Paulo Mendes admitiu que a SATA é
"invariável" tema de debate no parlamento açoriano, "mas constata-se que
o Governo Regional, como único acionista, continua incapaz de dar um
rumo à empresa e apresentar ideias claras quanto ao seu futuro, a não
ser a sua privatização como solução milagrosa e a implementação de umas
medidas avulso sem grande sentido e efeito".E
prosseguiu: "É constante a mudança de responsáveis pela empresa, o que
denota de forma clara que não há um projeto e, em função desse projeto, a
escolha das pessoas certas. Este facto traduz uma constante variação de
diretrizes no interior da empresa que logicamente sofre destas
constantes alterações".Já o PCP, pelo
deputado João Paulo Corvelo, único representante dos comunistas na
Assembleia Legislativa dos Açores, declarou que "de cada vez que são
divulgados os relatórios e contas da empresa é maior a apreensão em
relação ao futuro" da SATA.Mesmo assim, o
executivo, "ao invés de corrigir as suas políticas para a empresa e para
o setor", não só "não altera o rumo seguido como persiste nas mesmas
políticas completamente indiferente quanto ao desastre a que estas
políticas, inevitavelmente, estão a conduzir a SATA", sustentou o
parlamentar comunista.O presidente do
Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, interveio no debate demonstrando
confiança no conselho de administração da SATA no cumprimento dos
objetivos financeiros para este ano, que passam pela redução dos
prejuízos anuais para metade."Temos
confiança que o conselho de administração conseguirá alcançar esses
objetivos e temos, em relação ao primeiro trimestre deste ano, alguns
indicadores que nos animam nessa confiança", declarou o governante.Depois,
dirigindo-se à bancada do PSD e ao seu líder parlamentar, Luís
Maurício, Vasco Cordeiro disse saber o que os açorianos dizem das contas
da SATA, mas atirou: "O senhor deputado Luís Maurício sabe o que é que
os açorianos dizem, quando num concelho que tem uma das maiores taxas de
pobreza, uma câmara municipal paga 200 mil euros por um concerto de um
artista brasileiro?".Em causa está a
autarquia da Ribeira Grande (na ilha de São Miguel), presidida pelo
líder do PSD/Açores, Alexandre Gaudêncio, e a contratação do artista
brasileiro Kevinho para um concerto em abril passado.Na resposta, o chefe da bancada do PSD declarou que "o que é verdadeiramente insustentável é a forma de governação" socialista.O grupo SATA fechou 2018 com um prejuízo de 53,3 milhões de euros, um agravamento de 12,3 milhões face ao ano de 2017.A pesar no resultado estiveram as perdas da Azores Airlines, que registou um prejuízo de 52,93 milhões de euros. A
juntar a este indicador há ainda o resultado líquido negativo de 2,58
milhões de euros da SATA Air Açores, que assegura os voos nas nove ilhas
do arquipélago.