Operação da Delta em São Miguel representa 10% das dormidas
16 de dez. de 2019, 18:49
— Lusa/AO online
O indicador foi
deixado por Carlos Morais em audição na Comissão de Economia da
Assembleia Legislativa dos Açores, que hoje escuta o responsável da ATA e
também a secretária regional do Turismo a propósito da anunciada saída
da Delta Air Lines dos Açores."O turista
americano é um turista que consome muito mais que outros mercados que
temos nos Açores, deixa mais dinheiro na economia açoriana que outros
mercados. Em relação à promoção [do destino Açores], tudo foi feito"
para que a operadora norte-americana não abandonasse a rota, considerou o
responsável da ATA, que tomou posse em maio deste ano.A
companhia aérea Delta Air Lines confirmou em outubro que “vai
descontinuar o serviço de verão entre Ponta Delgada e Nova Iorque”, sem
referir as razões de deixar de voar para os Açores.A operação sazonal, que terminou em setembro deste ano, não se repetirá portanto em 2020.Para
o presidente da ATA, existem "uma série de companhias aéreas"
internacionais interessadas em voar para os Açores, tendo a Delta
"tomado o pontapé de saída neste sentido", num contacto desenvolvido
inicialmente entre a empresa e a região em 2015."A
motivação da Delta penso que terá sido o mercado de proximidade, de ter
um voo a quatro horas e meia, e a notoriedade do destino Açores neste
momento", acrescentou.Carlos Morais
declarou aos deputados ter sido sugerido à Delta, numa reunião tida
entre o Governo dos Açores, a ATA e os responsáveis da companhia, o
avançar para um "concurso público internacional" que garantisse mais
verbas à transportadora aérea para manter a rota entre Nova Iorque e
Ponta Delgada."Eu sou empresário. E numa
balança há um deve e haver. (...) A tarifa média não compensava a rota.
Entre o deve e haver a empresa tem de rentabilizar um ativo que tem e
que se chama avião", considerou o presidente da ATA.O gestor sinalizou ainda que havia dificuldades dos norte-americanos em preencher os lugares de executiva na referida rota.A
Delta Air Lines começou em maio de 2018 a voar para os Açores, ligando
Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, ao Aeroporto John F. Kennedy, em
Nova Iorque (Estados Unidos da América), e arrancou a operação com cinco
voos por semana, passando no segundo ano para sete.O
Governo dos Açores declarou logo em outubro estar já a "reagir", e
"interessa continuar a investir na notoriedade da região, neste mercado e
noutros", sublinhou então a secretária do Turismo, Marta Guerreiro.Porém, a governante reconheceu: "Não é uma notícia que gostássemos de ter, mas temos de percebê-la no seu contexto global.A Delta, referiu ainda então aos jornalistas, é uma empresa privada com uma "lógica empresarial muito própria".