Onze deputados do PS dizem que Presidente da República foi ignorado na nova Lei do Mar
2 de out. de 2020, 15:53
— Lusa/AO online
Esta sexta-feira, em plenário,
a Assembleia da República procedeu à reapreciação do decreto vetado por
Marcelo Rebelo de Sousa em agosto, e as alterações ao diploma que
partiu da Assembleia Legislativa dos Açores foram aprovadas pelo PS,
PAN, Iniciativa Liberal, PSD Madeira e Açores, com as abstenções do
Bloco de Esquerda, PCP, CDS e PEV.Além do
voto contra do Chega, o diploma mereceu ainda a rejeição de dez
deputados socialistas, que depois subscreveram uma declaração de voto
(já com 11 nomes na lista) encabeçada pela ex-ministra do Mar, Ana Paula
Vitorino, bem como pelos constitucionalistas Pedro Bacelar de
Vasconcelos e Isabel Moreira.Para este
grupo de deputados, onde figuram também Jorge Lacão, José Magalhães,
Alexandre Quintanilha, Sérgio Sousa Pinto, Ascenso Simões e Marcos
Perestrello, as alterações agora introduzidas pelo PS não corrigem
"fragilidades" já presentes no diploma vetado em agosto passado "e
simultaneamente não dão resposta cabal às preocupações manifestadas pelo
Presidente da República". "Foi ignorada a
mensagem do Presidente da República que referia a necessidade de
considerar um regime adequado de delegação de competências, mantendo-se a
opção por um modelo de atribuição de competências aos órgãos das
regiões autónomas que afasta a intervenção do Estado", sustentam.Estes
deputados do PS entendem mesmo que "os aditamentos efetuados ao texto
de decreto agravam o sentido das críticas que fundamentaram a posição
antes assumida na votação de julho, afastando o Estado de qualquer
intervenção no licenciamento da utilização privativa de bens do domínio
público marítimo e limitam-se a diferir para legislação futura o regime
económico e financeiro associado à utilização privativa dos fundos
marinhos". "Estabelece-se uma situação de
inferioridade do Estado relativamente às regiões autónomas ao atribuir
natureza vinculativa plena aos pareceres regionais e limitando a
intervenção do Estado aos casos residuais em que esteja em causa a
integridade e soberania nacional. Continuamos a considerar legítimo e
necessário o reforço da autonomia das regiões autónomas em matérias do
mar, respeitando, no entanto, um enquadramento constitucional e político
adequado", advertem estes deputados.Para
este grupo de deputados, o diploma hoje aprovado, se for promulgado,
"cria uma fratura na soberania nacional ao criar um conceito específico
de território autónomo designado mar dos Açores, que transforma o mar
Português, em matéria de ordenamento e gestão, num somatório de três
espaços marítimos: o dos Açores, o da Madeira e o do Continente".Estes
deputados do PS insurgem-se também contra o facto se de submeter "o
exercício de poderes de soberania do Governo da República para lá das
200 milhas a parecer obrigatório e vinculativo das regiões autónomas".Este
diploma "torna a intervenção do Governo da República até às 200 milhas
residual, limitado à emissão de parecer que só será obrigatório e
vinculativo nas matérias ditas de soberania e de integridade
territorial, que o diploma não caracteriza. A gestão do mar, alargada a
toda a plataforma continental, não é matéria de interesse específico das
regiões. Pelo contrário, integra o núcleo central das funções de
soberania, incorrendo a solução aprovada no risco de colisão com o
exercício dos poderes do Estado nas áreas da defesa nacional, da
segurança interna e dos negócios estrangeiros", adverte este grupo de
membros da bancada socialista, entre os quais também se encontram
Rosário Gamboa e António Gameiro.