Onze associações estudantis do superior queixam-se que não foram ouvidas para comissão independente
19 de jan. de 2023, 09:27
— Lusa/AO Online
A
carta aberta, dirigida à ministra da Ciência, Tecnologia e do Ensino
Superior e ao secretário de Estado do Ensino Superior, é subscrita por
associações ou federações académicas de Lisboa, Coimbra, Açores,
Madeira, Algarve, Aveiro, Beira Interior, Évora, Minho, Trás-os-Montes e
Alto Douro e de estudantes do ensino superior politécnico.A
Comissão Independente para a avaliação da aplicação do RJIES foi criada
por despacho ministerial em 06 de janeiro e integra, entre os nove
elementos, a presidente da Federação Académica do Porto, Ana Gabriela
Cabilhas, e o presidente da mesa da Assembleia-Geral da Federação
Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico,
Joel Rodrigues.De acordo com o despacho,
publicado na segunda-feira em Diário da República, ambos representam os
estudantes do ensino superior no Conselho Nacional de Educação.As
11 associações que assinam a carta aberta dirigida a Elvira Fortunato e
a Pedro Nuno Teixeira, autointitulando-se como Movimento Estudantil
Nacional, alegam que, "em nenhum momento", foram ouvidas pelo ministério
quanto "à constituição desta comissão, tendo apenas obtido conhecimento
dos seus termos por via do despacho". Segundo
as subscritoras, "todos os elementos" da comissão foram escolhidos pela
tutela, "contrariando o princípio de independência do Governo" e
"terminando com uma prática habitual de sucessivas legislaturas" em que
"o movimento estudantil nacional era convidado a indicar os elementos
integrantes dos grupos de trabalho, comissões ou órgãos de apoio à
atividade do Governo constituídos pela tutela do ensino superior".As
signatárias reclamam a revogação do despacho que cria a Comissão
Independente para a avaliação da aplicação do RJIES e "a abertura de um
processo verdadeiramente público, independente do Governo e
participado".De acordo com as 11
associações estudantis, a comissão independente deve ser formada por
elementos indicados, nomeadamente, pelo Movimento Estudantil Nacional,
Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, Conselho Coordenador
dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) e pela Associação
Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP).A
comissão, nomeada por despacho pela ministra do Ensino Superior, Elvira
Fortunato, inclui ex-reitores de universidades e antigos presidentes do
CCISP e da APESP. Na terça-feira, o CCISP
criticou a composição da comissão por ser "predominantemente" formada
"por professores com experiência universitária". O CCISP considera que a comissão "põe em causa a representatividade dos vários setores que compõem o ensino superior". A
Comissão Independente para a avaliação da aplicação do Regime Jurídico
das Instituições de Ensino Superior é liderada pelo ex-presidente da
Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior e ex-reitor da
Universidade do Porto Alberto Amaral.A "cadeira" da vice-presidência da comissão é ocupada pela antiga reitora da Universidade de Aveiro Helena Nazaré.Fazem
ainda parte do órgão Joaquim Mourato, diretor-geral do Ensino Superior e
ex-presidente do CCISP, João Redondo, presidente da Aliança das
Instituições de Ensino Superior Não Estatais na Europa e ex-presidente
da APESP.A lista de elementos fica
completa com João Cunha Serra, professor jubilado do Instituto Superior
Técnico e antigo coordenador do Departamento do Ensino Superior e
Investigação da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Cláudia
Sarrico, professora catedrática da Escola de Economia e Gestão da
Universidade do Minho e investigadora do Centro de Investigação em
Políticas do Ensino Superior, e Célia Reis, ex-presidente do Conselho
Coordenador do Ensino Superior. A comissão
deverá apresentar as suas conclusões sobre a avaliação do RJIES até
dezembro, seguindo-se um período de discussão pública com as comunidades
académica e científica, estudantes, sindicatos e representantes da
sociedade civil.O RJIES, em vigor desde 2007, deveria ter sido avaliado há dez anos.