ONU prevê inflação global de 6,5% em 2023 e pede que governos evitem austeridade
25 de jan. de 2023, 16:47
— Lusa
Estas projeções integram o
principal relatório económico da ONU, o 'World Economic Situation and
Prospects Report 2023', que indica que uma série de choques graves
reforçaram-se em 2022 - como a pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia
e consequentes crises alimentar e energética, aumento da inflação,
aperto da dívida, assim como a emergência climática -, e que continuarão
a ter impacto na economia mundial em 2023.
Nesse cenário, o relatório projeta que o crescimento da produção
mundial desacelere de cerca de 3% em 2022 para 1,9% em 2023, marcando
uma das taxas de crescimento mais baixas das últimas décadas.Em
relação à inflação global, que atingiu um novo máximo de várias décadas
em 2022, de cerca de 9%, deverá diminuir, mas permanecerá elevada no
corrente ano, em 6,5%.Apresentando "uma
perspetiva económica sombria e incerta" a curto prazo, as Nações Unidas
projetam que o crescimento global aumente moderadamente para 2,7% em
2024, "já que alguns dos ventos contrários começarão a diminuir".No
entanto, isso "dependerá muito do ritmo e da sequência de mais aperto
monetário, do curso e das consequências da guerra na Ucrânia e da
possibilidade de novas interrupções na cadeia de suprimentos", frisa o
relatório."Este não é o momento para
pensamentos de curto prazo ou para austeridade [...] que exacerba a
desigualdade, aumenta o sofrimento e pode colocar os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) fora de alcance. Estes tempos sem
precedentes exigem uma ação sem precedentes”, disse o secretário-geral
da ONU, António Guterres, citado em comunicado. De
acordo com o relatório, as perspetivas económicas são "sombrias" quer
para as economias desenvolvidas, quer para as em desenvolvimento, onde
dominam as perspetivas de recessão para este ano."O
ímpeto de crescimento enfraqueceu significativamente nos Estados
Unidos, na União Europeia e em outras economias desenvolvidas em 2022,
impactando negativamente o restante da economia global através de vários
canais. O aperto das condições financeiras globais, juntamente com um
dólar forte, exacerbou as vulnerabilidades fiscais e de dívida nos
países em desenvolvimento", analisa o texto.As
Nações Unidas aproveitaram para frisar que em 2022, o número de pessoas
em situação de insegurança alimentar aguda mais do que duplicou em
relação a 2019, chegando a quase 350 milhões.Nesse
sentido, o relatório pede aos governos que evitem a austeridade “que
sufocaria o crescimento e afetaria desproporcionalmente os grupos mais
vulneráveis, afetaria o progresso na igualdade de género e obstruiria as
perspetivas de desenvolvimento entre gerações”. Ainda
no campo das recomendações, o relatório pede uma realocação e
repriorização dos gastos públicos, garantindo assim "apoio contínuo
através de subsídios direcionados e temporários, transferências
monetárias e descontos nas contas de serviços essenciais, que podem ser
complementados com reduções nos impostos sobre o consumo ou nas taxas
alfandegárias".Recomenda também
investimentos públicos estratégicos em educação, saúde, infraestrutura
digital, novas tecnologias e adaptação às mudanças climáticas, setores
que podem "oferecer grandes retornos sociais, acelerar o crescimento da
produtividade e fortalecer a resiliência a choques económicos, sociais e
ambientais".