ONU pede que invasão russa seja interrompida "com urgência"
Ucrânia
15 de jul. de 2025, 12:24
— Lusa/AO Online
O
apelo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos
surge um dia depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter
imposto à Rússia um prazo de 50 dias para pôr fim à guerra na Ucrânia
sob pena de enfrentar sanções severas, e anunciou um rearmamento massivo
de Kiev através da NATO.“O ataque armado
em grande escala da Federação Russa contra a Ucrânia deve ser
interrompido com urgência, e o trabalho em prol de uma paz duradoura,
consistente com o direito internacional, deve ser intensificado”,
defendeu a porta-voz Alto Comissariado da ONU, Liz Throssell, durante
uma conferência de imprensa realizada hoje em Genebra, na Suíça.Deve
haver “uma paz que garanta” que os autores de violações de direitos
humanos e do direito internacional humanitário “sejam
responsabilizados”, acrescentou.Em
Bruxelas, a responsável pela diplomacia da União Europeia (UE), Kaja
Kallas, considerou que o prazo de 50 dias dado pelo Presidente
norte-americano à Rússia é um período “muito longo”, já que já “civis
inocentes a morrer todos os dias”.Este mês
“não trouxe tréguas aos civis ucranianos, depois de junho ter
registado, segundo a nossa monitorização da Ucrânia, o maior número
mensal de mortes e ferimentos de civis em três anos — desde maio de 2022
—, com 232 mortos e 1.343 feridos”, sublinhou Liz Throssell.“De
acordo com as nossas informações mais recentes, desde o início do mês,
pelo menos 139 civis foram mortos e 791 feridos na Ucrânia durante ondas
intensas e sucessivas de ataques com mísseis e drones lançados pela
Federação Russa”, alertou.A porta-voz
realçou ainda que o “impacto físico e psicológico devastador” dos
ataques não é apenas uma questão de números, uma vez que “as pessoas
precisam de passar horas abrigadas, incluindo em caves, corredores e
abrigos disponíveis, como estações de metro”.Segundo
o alto-comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, quaisquer
negociações devem focar-se em “medidas imediatas”: pôr fim aos ataques a
civis, proteger os direitos das pessoas em territórios ocupados,
devolver crianças transferidas ou deportadas à força, estabelecer
corredores humanitários e pôr fim à tortura e aos maus-tratos de
prisioneiros de guerra e de outros detidos.Türk pediu também a Moscovo e Kiev que realizem uma troca abrangente de prisioneiros de guerra.Desde
o início de junho, a ONU entrevistou quase 140 prisioneiros de guerra
ucranianos recentemente libertados, e “quase todos relataram ter sido
torturados ou maltratados”, adiantou a porta-voz, acrescentando que isso
confirma “tendências já estabelecidas de tortura generalizada e
sistemática”.A ONU está também a
entrevistar prisioneiros de guerra russos na Ucrânia, “o que permitiu
observar a utilização de instalações de detenção não oficiais, bem como
[o uso de] tortura e maus-tratos desde as primeiras fases do cativeiro”,
disse.“As autoridades ucranianas abriram
investigações sobre várias destas alegações e pedimos-lhes que garantam
que estas investigações progridem rapidamente, de acordo com as normas
internacionais”, concluiu.