ONU pede libertação da jornalista chinesa que reportou surto em Wuhan
Covid-19
28 de dez. de 2020, 18:37
— Lusa/AO Online
O apelo dirigido
às autoridades chinesas foi feito pela Alta Comissária da ONU para os
Direitos Humanos, a ex-Presidente chilena Michelle Bachelet."Temos
falado sobre este caso com as autoridades ao longo de 2020 e
consideramos este caso com um exemplo das restrições excessivas à
liberdade de expressão em relação à covid-19”, afirmou a equipa de
Michelle Bachelet numa mensagem publicada na rede social Twitter.Um tribunal de Xangai condenou hoje Zhang Zhan a quatro anos de prisão.Zhang
Zhan viajou para Wuhan, em fevereiro passado, para recolher informações
sobre o surto inicial da covid-19, ocorrido no final de dezembro de
2019, e a subsequente campanha de prevenção contra a doença e tratamento
dos pacientes, mas desapareceu, em maio, sendo mais tarde revelado que
tinha sido detida pela polícia em Xangai, no leste da China.O
tribunal considerou que Zhang Zhan tinha “provocado distúrbios" e
"procurado problemas" com as notícias que fez sobre o surto em Wuhan.A
jornalista independente recusou-se a reconhecer as acusações, tendo
considerado que as informações publicadas por si em plataformas chinesas
como o WeChat ou nas redes sociais Twitter e YouTube não deveriam ter
sido censuradas.Segundo a organização
não-governamental (ONG) Amnistia Internacional, o trabalho de Zhang Zhan
centrou-se na denúncia das detenções de outros repórteres independentes
e do assédio que foi feito a familiares de vítimas do novo coronavírus
durante aquele que é considerado como o primeiro surto da pandemia da
covid-19 e que posteriormente viria a ganhar proporções mundiais.A
organização Defensores dos Direitos Humanos na China revelou, em
setembro passado, que a jornalista tinha sido presa por informar que os
cidadãos de Wuhan receberam comida estragada, durante as 11 semanas de
confinamento da cidade, ou que foram obrigados a pagar para realizarem
testes de deteção do novo coronavírus.