ONU pede eleições “justas e livres” após o período de transição
Síria
18 de dez. de 2024, 13:10
— Lusa/AO Online
Em declarações aos jornalistas, Geir
Pedersen disse ainda esperar uma “solução política” no nordeste da
Síria, relativamente às zonas curdas autónomas, que constituem um dos
“maiores desafios” para o novo governo no poder após a queda do regime
do Presidente Bashar al-Assad.Uma
coligação de grupos armados liderada pelos islamitas do Hayat Tahrir
al-Sham (HTS) tomou o poder na Síria a 08 deste mês, derrubando o regime
do Presidente Bashar al-Assad, que governou o país sem contestação
desde 2000, após suceder ao regime do pai, Hafez al-Assad, que chegou ao
poder na sequênia de um golpe de Estado em 1971.“Penso
que é importante dizer que há muita esperança, que hoje estamos a
assistir ao início de uma nova Síria, [...] que aprovará uma nova
Constituição que garanta um novo contrato social para todos os sírios e
que organizará eleições justas e livres após o período de transição”,
disse o representante da ONU.O primeiro-ministro responsável pela transição até 01 de março, Mohammad al-Bashir, prometeu “garantir os direitos de todos”.“Há estabilidade em Damasco, mas os desafios persistem noutras áreas”, avisou.Pedersen
afirmou esperar uma “solução política” no nordeste da Síria no que se
refere às zonas autónomas curdas, que constituem “um dos maiores
desafios” para o novo governo no poder.Por
último, o enviado especial da ONU reafirmou a necessidade de uma “ajuda
humanitária imediata” e espera uma “recuperação económica” no país sob
sanções internacionais.A Síria tem sido
palco de uma guerra devastadora, desencadeada em 2011 pela repressão de
manifestações pró-democracia. O conflito provocou a morte de mais de
meio milhão de pessoas e deixou milhões de deslocados e refugiados.Terça-feira
à noite, num comunicado, o Conselho de Segurança da ONU apelou para que
o processo político na Síria seja inclusivo e “liderado pelos sírios”,
quase dez dias após a queda do regime de al-Assad.Os
membros do Conselho, incluindo a Rússia, apoiante histórico de
al-Assad, e os Estados Unidos, “sublinharam igualmente a necessidade de a
Síria e dos vizinhos se absterem de qualquer ação ou interferência que
possa prejudicar a segurança uns dos outros”, indica o comunicado."Reafirmaram
igualmente forte empenho na soberania, independência, unidade e
integridade territorial da Síria e apelaram a todos os Estados para que
respeitem estes princípios”, acrescentou.As
novas autoridades, dominadas por islamistas radicais que depuseram
al-Assad do poder a 08 deste mês, tentam agora tranquilizar a população
quanto à capacidade de pacificar e reunificar o país, dividido e
devastado por 13 anos de guerra civil.“Este
processo político deve ir ao encontro das aspirações legítimas de todos
os sírios, protegê-los a todos e permitir-lhes determinar o próprio
futuro de forma pacífica, independente e democrática”, afirmou o
Conselho de Segurança da ONU.O “conflito
ainda não terminou” na Síria, alertou terça-feira Pedersen, referindo-se
aos confrontos no norte do país entre as forças pró-curdas e os grupos
de protesto curdos.Pedersen criticou
também os “mais de 350 ataques” efetuados por Israel a instalações
militares no país desde 08 de dezembro e apelou a Telavive para que
“cesse todas as atividades de colonização nos montes Golã sírios
ocupados, o que é ilegal”.Desde o início
da guerra civil síria, em 2011, o Conselho tem estado paralisado em
relação à questão síria, com a Rússia a utilizar regularmente o direito
de veto para proteger o regime de Bashar al-Assad, até à queda.Moscovo ainda tem bases militares em território sírio e o futuro ainda está por decidir, anunciou o Kremlin na segunda-feira.