ONU discute destacamento de armas nucleares russas na Bielorrússia na 6.ª feira
29 de mar. de 2023, 11:08
— Lusa/AO Online
A sessão foi incorporada esta
terça-feira à programação do Conselho de Segurança e ocorrerá no último
dia de março, pouco antes de a Rússia assumir a presidência rotativa do
órgão mais importante das Nações Unidas.O
Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou o acordo com a Bielorrússia,
um país que faz fronteira com a Ucrânia, no sábado, um movimento que
disse ser uma reação à decisão do Reino Unido de fornecer ao Exército
ucraniano munição de urânio empobrecido.O
líder russo reconheceu que a munição britânica não é considerada uma
arma de destruição em massa, mas é uma arma "mais perigosa".Putin
enfatizou também que o acordo com o seu aliado não viola os tratados de
desarmamento existentes e que em 01 de julho será concluída a
construção de um silo para colocar essas armas no país vizinho.Em
resposta, o Governo ucraniano escreveu às Nações Unidas no domingo a
solicitar com urgência a realização de uma reunião sobre o anúncio do
Kremlin e solicitou a participação do secretário-geral da organização,
António Guterres.O anúncio de Putin
provocou críticas severas do Ocidente, com a NATO (sigla inglesa da
Organização do Tratado do Atlântico Norte) a denunciar uma “retórica
perigosa e irresponsável da Rússia”.A União Europeia (UE) ameaçou a Bielorrússia com novas sanções se aceitasse acolher as armas nucleares russas.Os
Estados Unidos também condenaram a medida, mas reiteraram que não
tinham motivos para acreditar que a Rússia se preparava para utilizar
armas nucleares.Já a Bielorrússia referiu
esta terça-feira que aceitou acolher armas nucleares táticas russas em
resposta a uma pressão ocidental sem precedentes.No
comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Bielorrússia
realçou ainda que Minsk não terá controlo sobre as armas nucleares
russas.Defendeu ainda que a transferência destas não contradiz as disposições do tratado de não-proliferação nuclear.Embora
a Bielorrússia não esteja diretamente envolvida no conflito na Ucrânia,
Moscovo utilizou o seu território para conduzir a sua ofensiva em Kiev,
iniciada em 24 de fevereiro de 2022.Liderado
por Alexander Lukashenko desde 1994, o país vizinho da UE está ligado a
Moscovo por um tratado que criou a União da Federação Russa e da
Bielorrússia.O tratado, que atualizou um acordo de 1997, foi assinado por Putin e Lukashenko em 08 de dezembro de 1999.Putin
e outros dirigentes russos têm repetidamente feito ameaças veladas de
utilização de armas nucleares na Ucrânia, caso o conflito se agrave
significativamente.As armas nucleares
táticas podem ter mais do triplo da potência da bomba atómica lançada
pelos Estados Unidos na cidade japonesa de Hiroshima em 1945.A
Rússia tem capacidade para lançar este tipo de armas a partir de
navios, aviões e forças terrestres, com um alcance de até 500
quilómetros.Este armamento é considerado
mais destrutivo do que uma ogiva convencional, embora tenha a mesma
energia explosiva, e causa contaminação por radiação que afeta o ar, o
solo, a água e a cadeia alimentar.