ONU descreve situação humanitária desastrosa em Gaza
29 de jun. de 2024, 16:02
— Lusa
O
chefe da agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA),
Louise Wateridge, descreveu hoje as condições de vida no território
palestiniano como desastrosas. Os
habitantes vivem nas ruínas de edifícios ou em tendas à volta de um
enorme monte de lixo, afirmou aos jornalistas em Genebra, através de uma
videoconferência a partir do centro da Faixa de Gaza.Desde
quinta-feira que o exército israelita está a realizar uma operação em
Choujaïya, um bairro a leste da cidade de Gaza, onde afirma estarem
localizadas "infraestruturas terroristas". Na
sexta-feira, a Defesa Civil comunicou "numerosas mortes" e a fuga de
"dezenas de milhares de civis", depois de um apelo do exército à
evacuação do bairro.Durante a madrugada de
sexta-feira e hoje de manhã, os jornalistas da AFP ouviram explosões,
ataques aéreos e tiros vindos da zona. "Nas
ruas, as pessoas estavam em pânico, aterrorizadas (...) Toda a gente
abandonava Choujaïya", contou Samah Hajaj, de 42 anos. "Não
sabemos porque é que eles [soldados israelitas] entraram em Choujaïya,
uma vez que já tinham destruído as casas", acrescentou. Também
na cidade de Gaza, a Defesa Civil afirmou que quatro corpos e seis
feridos tinham sido retirados dos escombros de um edifício, que foi
atingido por um ataque israelita.No centro
do território palestiniano, onde o exército israelita afirmou ter
eliminado "muitos combatentes", os habitantes limpam os escombros no
campo de refugiados de Maghazi, depois de um ataque noturno a uma casa
ter atingido um centro médico."A farmácia,
o serviço de oftalmologia e o serviço de urgência ficaram completamente
destruídos. Tudo o que resta são escombros", afirmou à AFP o diretor do
centro médico, Tarek Qandeel.Mais a sul, perto de Rafah, foram também encontrados cinco corpos na sequência de um bombardeamento, segundo os médicos. O
exército israelita prossegue as operações em Rafah, na fronteira com o
Egipto, onde afirma ter eliminado "numerosos terroristas".A
oeste de Rafah, várias testemunhas relataram mortes e ferimentos entre
os deslocados no campo de Shakush, na sequencia de uma nova incursão do
exército israelita. Os receios de que o
conflito possa alastrar ao Líbano foram recentemente agravados pela
escalada entre Israel e o Hezbollah, um aliado do Hamas.Desde
07 de outubro, que as duas partes têm trocado disparos quase
diariamente na zona fronteiriça, o que obrigou milhares de pessoas a
fugir. Durante o ataque do Hamas em solo israelita 251 foram raptadas, 116 estarão ainda detidas em Gaza e 42 morreram, segundo Israel.A
ofensiva israelita na Faixa de Gaza causou até agora 37.834 mortos, a
maioria dos quais civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, liderado
pelo Hamas. A guerra provocou uma
catástrofe humanitária no território palestiniano sitiado de 2,4 milhões
de habitantes. Mais de metade dos habitantes foi deslocada e escasseiam
a água, os alimentos e o sistema de saúde. Dos
36 hospitais em Gaza, 32 foram atingidos pelos ataques e 20 estão
atualmente fora de serviço, segundo dados divulgados na sexta-feira pela
Organização Mundial de Saúde (OMS).