ONU considera "extremamente alarmante" espionagem cibernética

19 de jul. de 2021, 17:34 — Lusa/AO Online

Para Bachelet, as queixas sobre o uso generalizado de ‘spyware’ “parecem confirmar os piores receios sobre o abuso de tecnologias de vigilância para violar os direitos humanos”.A alta comissária da ONU acrescentou que este tipo de medidas de controlo "só se justificam em circunstâncias muito definidas", o que não teria sido levado em conta no caso do uso do ‘software’ Pegasus.Um consórcio de 17 órgãos de comunicação internacionais denunciou, no domingo, que jornalistas, ativistas e dissidentes políticos em todo o mundo terão sido espiados graças ao 'software' Pegasus desenvolvido pela empresa israelita NSO Group.A empresa, fundada em 2011 a norte de Telavive, comercializa o 'spyware' Pegasus, que, inserido num 'smartphone', permite aceder a mensagens, fotos, contactos e até ouvir as chamadas do proprietário.A investigação publicada no domingo baseia-se numa lista obtida pelas organizações Forbidden Stories e Amnistia Internacional, que incluem 50.000 números de telefone selecionados pelos clientes da NSO desde 2016 para potencial vigilância.Bachelet lembrou que, no passado, o uso deste tipo de tecnologia serviu para “deter, intimidar e até assassinar” jornalistas e ativistas de direitos humanos, grupos que “desempenham um papel indispensável nas nossas sociedades”.A responsável das Nações Unidas pela área de proteção de direitos humanos acrescentou que as empresas responsáveis por este tipo de tecnologia “devem tomar medidas para mitigar e reparar os danos que os seus produtos causem”.As queixas sobre o uso do Pegasus, concluiu Bachelet, “confirmam a necessidade urgente de regulamentar a comercialização, transferência e utilização deste tipo de tecnologia de vigilância”, cujo uso pelos Estados também deve ser evitado quando prejudica valores fundamentais.