ONU celebra 75 anos da convenção que protege 118 milhões de refugiados no mundo
Hoje 11:31
— Lusa/AO Online
A Convenção, que
inicialmente abrangia apenas a Europa e depois, em 1967, foi alvo de um
protocolo que alargou o seu âmbito a todo o mundo, está a viver, segundo
uma das maiores organizações internacionais de ajuda humanitária, a
maior pressão da sua história.De acordo
com o Comité Internacional de Resgate (IRC, na sigla em inglês) – uma
das maiores organizações não-governamentais (ONG) de ajuda humanitária
do mundo -, a premissa que esteve na base do documento criado em 28 de
julho de 1951 está ameaçada pelo colapso do financiamento humanitário e
por uma onda crescente de governos que rejeitam as pessoas que procuram
proteção.Atualmente, 149 países são
signatários de pelo menos um dos dois documentos, incluindo Portugal,
que assinou a convenção restrita aos europeus em 1960, tendo em 1976
passado a integrar plenamente o sistema humanitário internacional.A
agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) dá conta da existência de
quase 118 milhões de pessoas refugiadas ou deslocadas à força em todo o
mundo, número que representa um decréscimo face ao ano anterior, mas que
ainda é “dramaticamente elevado”.“Este
aniversário é um momento para celebrar o que a Convenção alcançou,
defender o que funciona e corrigir o que não funciona”, afirmou o
presidente do IRC e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico
(2007-2010), David Miliband, sublinhando que “a questão não é se as
soluções existem”, mas sim “se os governos têm coragem política para as
implementar”.Apesar de o dia da criação da
convenção se assinalar hoje, as comemorações alargam-se a todo o ano e
irão culminar, em dezembro, com a reunião de várias propostas e
apresentação, no início de 2027, de uma nova estratégia humanitária
internacional para a próxima década, com a qual o ACNUR pretende reduzir
para metade o número de refugiados.