ONU avisa que 325 mil pessoas podem voltar a fugir devido a falta de energia
Ucrânia
Hoje 17:36
— Lusa/AO Online
Segundo
a agência que integra o sistema da ONU, mais de um em cada três
ucranianos considera mesmo voltar a mudar-se para o estrangeiro.Com
as temperaturas de inverno a atingir os -20°C e os cortes de energia de
emergência a persistirem em todo o país, estas intenções de sair do
país refletem a tensão cumulativa da insegurança, das habitações
danificadas e do acesso limitado à eletricidade e ao aquecimento,
explicou a OIM,“Após quatro anos de guerra
[que se completam no dia 24], a resiliência por si só não é suficiente
para sustentar as famílias durante mais um inverno de apagões e
temperaturas gélidas”, afirmou a diretora-geral da agência da ONU, Amy
Pope, num comunicado hoje divulgado.“Habitação
segura, energia fiável e serviços essenciais não são luxos – são
fundamentais para a segurança, sobrevivência e dignidade das pessoas”,
sublinhou, referindo que “sem apoio contínuo, as interrupções no
fornecimento de energia podem forçar as famílias a abandonar as suas
casas mais uma vez e comprometer as conquistas obtidas com tanto
esforço”.Desde o início desta guerra, mais
de 4,4 milhões de pessoas regressaram à Ucrânia, incluindo mais de um
milhão de pessoas que estavam fora do país.
No entanto, lembrou a OIM, nem todos os que atravessaram a fronteira de
volta para a Ucrânia conseguiram regressar a casa, persistindo 372.000
pessoas ainda deslocadas internamente no país.De acordo com a agência das Nações Unidas para as Migrações, as necessidades relacionadas com o inverno são generalizadas. “As
famílias relatam uma escassez aguda de baterias portáteis, geradores e
materiais para reparações nas suas casas”, avançou a OIM, esclarecendo
que, em algumas regiões da linha da frente, 90% das necessidades não têm
resposta.Segundo a organização, os
ucranianos que regressaram recentemente foram particularmente afetados e
registam “níveis elevados de sofrimento psicológico”, já que estavam
“mais dependentes das respostas de emergência”.Desde
fevereiro de 2022, quando teve início a invasão em larga escala pela
Rússia, a OIM já apoiou – direta ou indiretamente - 6,9 milhões de
pessoas na Ucrânia e milhões em 11 países vizinhos, sublinhou a agência,
que insta agora os governos de todo o mundo a dar mais ajuda.“Para
evitar mais deslocações, a OIM pede à comunidade internacional para
alargar a preparação para o inverno, as reparações em habitações, o
apoio aos meios de subsistência e os serviços integrados de saúde mental
e psicossocial, especialmente nas áreas da linha da frente”, referiu
ainda a organização.