ONU avisa países ocidentais para risco de apertar controlo de migrantes
10 de jul. de 2025, 16:44
— Lusa/AO Online
Amy Pope considerou que uma
abordagem focada apenas na fiscalização das fronteiras, sem abordar as
causas da migração, pode desestabilizar ainda mais os países de origem. “Se
queremos gerir a migração irregular, então é preciso investir na
estabilização das populações mais próximas, de onde vem a migração. (…) É
uma visão de curto prazo cortar a ajuda externa sem identificar
alternativas para garantir que as populações não são deslocadas”,
defendeu a diretora-geral da Organização Internacional para as Migrações
(OIM), em entrevista à agência de notícias Associated Press. Em
2023, Pope tornou-se a primeira mulher a liderar a agência de migrações
da ONU, depois de ter desempenhado as funções de conselheira da Casa
Branca sobre migração e segurança interna nos governos democratas dos
ex-presidentes Barack Obama e Joe Biden. As
declarações de Pope surgem quando os países europeus, incluindo
Portugal, estão a adotar políticas de migração mais rigorosas, com mais
financiamento para os esforços de deportação e para que os países de
trânsito desencorajem os migrantes. Pope
referiu a Síria como uma preocupação particular, alertando que o
repatriamento prematuro da população pode ser contraproducente. “Se
os sírios regressarem a casa demasiado depressa e enfrentarem mais
desestabilização, mais conflitos, se os seus filhos não estiverem em
segurança, se as suas casas continuarem destruídas e não tiverem para
onde ir, isso pode acabar por se virar contra si”, explicou. A
responsável das Nações Unidas lembrou ainda que as políticas
fronteiriças mais rigorosas dos Estados Unidos já criaram efeitos de
cascata em toda a América Latina. “Estamos
a assistir a uma inversão dos fluxos. Não só menos pessoas estão a
chegar à fronteira dos Estados Unidos com o México, como mais pessoas
estão a dirigir-se para sul”, disse Pope, levantando preocupações sobre a
falta de apoio a países ao longo de rotas migratórias alternativas,
como o Panamá, a Costa Rica e outros países da América Central. A
responsável mostrou-se otimista sobre a abordagem de Itália, que
combina medidas fronteiriças rigorosas com canais de migração legal
alargados. A Itália planeia fornecer quase
500.000 autorizações para trabalhadores de fora da UE, a começar em
2026 e escalonadas ao longo de três anos, num trabalho com os
empregadores para identificar as necessidades de mão-de-obra.