ONU apela para trégua na "guerra" entre humanos e Natureza

30 de set. de 2020, 17:37 — Lusa/AO online

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, abriu com esta mensagem a cimeira sobre biodiversidade na Assembleia-geral da organização, que contou ainda com mensagens em vídeo de dezenas de chefes de Estado e de governo."Mais de 60 por cento dos recifes de coral do mundo estão em perigo por causa da pesca excessiva, práticas destrutivas e alterações climáticas. A fauna está a diminuir por causa do consumo excessivo, o crescimento da população e da agricultura intensiva. E o ritmo da extinção das espécies está a aumentar, com cerca de um milhão sob ameaça", referiu Guterres. Acrescentou que, a prazo, a humanidade também está ameaçada, uma vez que faz parte de uma "frágil rede natural" que precisa de ser protegida para as gerações futuras e que "a biodiversidade e os ecossistemas são essenciais para o progresso e a prosperidade humana". Entre as consequências do desequilíbrio da relação dos humanos com a natureza está o surgimento de doenças que podem matar como a sida, o ébola e a covid-19. "Sessenta por cento de todas as doenças conhecidas e 75% das novas doenças infecciosas são zoonóticas, passaram dos animais para os humanos e demonstram a interconexão próxima entre a saúde do planeta e a saúde dos humanos", apontou. Sem "mudar a relação" com a Natureza e para modelos económicos mais sustentáveis, "o sistema atual está virado para a destruição, não para a preservação", afirmou, defendendo que esta esteja no centro dos planos de recuperação pós-crise da covid-19, que se invista mais no meio ambiente e se estabeleçam metas internacionais ambiciosas para proteger a biodiversidade.