ONU alerta que pandemia agrava situação dos doentes com SIDA
Covid-19
26 de nov. de 2020, 12:20
— Lusa/AO Online
As informações do Programa Conjunto da ONU
sobre o VIH/SIDA (ONUSIDA) indicam que os problemas endémicos na
resposta à doença - que causou 690 mil mortes em 2019 -
contribuíram para que o vírus SARS-CoV-2 se propagasse mais rapidamente
em 2020. "A insuficiência na inversão das
ações contra o VIH e outras pandemias deixaram o mundo exposto ao
covid-19", sublinha o documento alertando que "se os sistemas sanitários
e redes de segurança social fossem mais fortes, o planeta teria estado
melhor posicionado para travar o novo coronavírus".O
relatório prevê um aumento entre 123 e as 293 mil novas infeções de VIH
entre 2020 e 2022 (em 2019 registou-se 1,7 milhões de infeções) e
reconhece que "num ano tão difícil" não vão ser cumpridos os objetivos
da luta contra a SIDA encaminhados para que a doença deixe de ser uma
ameaça à saúde pública a partir de 2030."Os
progressos dos últimos anos estão ameaçados em muitos países, com os
serviços contra o VIH interrompidos e as cadeias de abastecimento
cortadas", assinalou a diretora da ONUSIDA, Winnie Bynyima na
apresentação do relatório em Genebra. Bynyima,
do Uganda, sublinhou que "o mundo mudou nos últimos meses, um mundo em
que o Covid-19 agravou as desigualdades que outra pandemia - VIH/SIDA -
também já tinha gerado".O relatório urge
os governos a aprenderem a lição de que a falta de investimento na saúde
causou nas sociedades por causa do covid-19 e que os mesmos
ensinamentos devem ser aplicados nas respostas contra o VIH/SIDA. "Vemos agora o forte vínculo que existe entre a nossa saúde e a economia mundial", acrescentou Byanyima.A
responsável máxima da ONUSIDA explicou que, especialmente nos primeiros
meses de 2020, registou-se uma "importante" queda no número de
pacientes diagnosticados (cerca de 50%) com VIH e que correspondeu à
interrupção dos diagnósticos em virtude da atenção médica aos doentes
com SARS CoV-2.Alguns países conseguiram
recuperar a situação e "algumas brechas foram fechadas" mas, afirmou,
"ainda existem interrupções em alguns serviços e um travão sobre os
progressos alcançados nos anos anteriores".Byanyima recordou
que cerca de 12 milhões de pessoas afetadas pelo VIH/SIDA não recebem
tratamento (de um total mundial de 40 milhões) e que os níveis de
discriminação e estigmatização dos pacientes são ainda muito elevados.A
ONUSIDA estabelece no mesmo documento, objetivos para a luta contra o
VIH/SIDA destacando-se o objetivo de se alcançar até 2025 uma cobertura
sanitária de 95% em comunidades de alto risco de contágio de VIH e
reduzir 10% o número de países onde ainda existem leis discriminatórias
contra os portadores do vírus.