ONU alerta para necessidade de vontade política para acabar com fome no mundo
5 de nov. de 2024, 11:00
— Lusa
"Um
mundo sem fome é possível e está ao alcance. Temos a tecnologia e o
conhecimento para derrotar a fome, mas precisamos de vontade política e
dos investimentos necessários", disse o diretor-geral da agência da ONU
para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI, na sigla em Inglês), Gerd
Müller, em comunicado. A capital da
Etiópía acolhe entre terça e quinta-feira, a Conferência Mundo Sem Fome,
onde esta agência da ONU e a dedicada à agricultura e alimentação (FAO,
na sigla em Inglês) vão apresentar um estudo intitulado 'É possível
acabar com a fome'. No comunicado, Muller
adiantou que "o novo estudo ONUDI-FAO apresenta uma solução duradoura
para a crise de fome, em particular face ao crescimento demográfico",
considerado ser "crucial que se realizem investimentos estratégicos de
longo prazo, sem demora". "Hoje, custaria
540 mil milhões de dólares adicionais acabar com a fome até 2030, em
grande parte através de programas de proteção social. Em 2020,
calculava-se que seriam necessários 330 mil milhões de dólares para
tal", detalhou a ONUDI.Este agravamento,
segundo o estudo, deve-se a fatores como a elevada dependência das
importações de alimentos, o que torna os países mais suscetíveis a
variações dos preços mundiais. Os eventos
climáticos extremos e a rutura climática afetaram a produção e
disponibilidade dos alimentos, o que agravou a crise alimentar nas
regiões que sofreram secas ou inundações. A
solução que o organismo coloca para terminar com o problema da fome é a
combinação do aumento da produção de alimentos e garantir os meios
económicos para que a população compre comida, o que permite
redistribuir a produção e o consumo para onde mais se necessita. Para
atingir este objetivo, segundo o organismo, é necessário investir em
produtividade agrícola através da investigação, bem como na mecanização
das explorações e a adoção de tecnologias de informação e comunicação. Também
"continua a existir uma importante necessidade de investimento para
construir e manter infraestruturas de risco, eletricidade, estradas
rurais e armazenamento para reduzir as perdas posteriores à colheita",
ainda segundo a ONUDI. A proporção da
população mundial que sofre fome tinha diminuído quase 50% desde 1990lm
quando afetava mais de mil milhões de pessoas. Sem
embargo, os números aumentaram drasticamente desde 2020 devido ao
aumento dos conflitos em todo o mundo, eventos meteorológicos extremos e
às interrupções das cadeias logísticas. "Sudão
está à beira da pior fome em quatro décadas, enquanto a rutura
climática provocou graves secas no Corno de África e eventos
meteorológicos extremos que afetam o rendimento dos cultivos no sul da
Ásia", exemplificou a ONUDI.O
economista-chefe da FAO, Máximo Torero, avisou que "o custo da inação
aumenta todos os dias e afeta não apenas as finanças, mas também a vida
das pessoas". Alertou ainda que "tem de se
atuar com urgência e coordenar e priorizar os investimentos para
acelerar a transformação do sistema agroalimentar".