ONU adverte para alto risco de uso indevido de IA em ano de muitas eleições
6 de dez. de 2023, 16:38
— Lusa
“No
próximo ano, estão previstas eleições em mais de 70 países, abrangendo
metade da população mundial. Estas eleições serão das primeiras na era
da inteligência artificial generativa amplamente disponível. Existem
riscos óbvios de uma propaganda e desinformação invulgarmente poderosas
serem produzidas à escala por um conjunto crescente de atores”, alertou
o alto comissário das Nações Unidas.Numa
conferência de imprensa em Genebra, Suíça, por ocasião do 75.º
aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que se
assinala a 10 de dezembro, Volker Türk defendeu que “será mais
importante do que nunca garantir que os Estados e as empresas de
tecnologia possam responder aos conteúdos nocivos em linha, de uma forma
que defenda os nossos direitos à informação, o nosso direito ao debate,
de forma aberta e livre”. Advogando que
os direitos humanos devem ser utilizados “como guia para combater o
discurso nocivo que discrimina e incita à violência”, o responsável da
ONU observou também que, “no período pré-eleitoral, é particularmente
importante garantir que os direitos à liberdade de expressão, de reunião
pacífica, de associação e de participação política sejam plenamente
respeitados”. “Infelizmente, os períodos
pré-eleitorais são muitas vezes terreno fértil para o extremismo, o
fomento dos medos, a retórica do ódio e a política da divisão, da
distração e do engano. Exorto os líderes políticos e outros a
absterem-se de semear o medo do "outro", criando divisões e
instrumentalizando as diferenças para ganhar votos”, afirmou.Entre
as eleições previstas para 2024, contam-se as eleições europeias, que
decorrerão de 06 a 09 de junho nos 27 Estados-membros da União Europeia
(UE), entre os quais Portugal, que terá também eleições legislativas
antecipadas, agendadas para 10 de março.