ONU acusa talibãs de graves violações dos direitos humanos contra afegãos
Afeganistão
24 de jul. de 2025, 16:07
— Lusa/AO Online
Uma vez no Afeganistão,
algumas destas pessoas, principalmente mulheres, membros do antigo
governo e jornalistas,foram vítimas de "graves violações" dos seus
direitos, cometidas "de acordo com o seu perfil" pelas autoridades
talibãs, segundo um novo relatório da ONU. Estas
violações, segundo a fonte, afetam mulheres, profissionais dos meios de
comunicação e membros da sociedade civil, assim como indivíduos ligados
ao antigo governo e às suas forças de segurança, apesar da amnistia
declarada pelos talibãs."Estas violações
incluem casos de tortura, maus-tratos, prisões e detenções arbitrárias e
ameaças à segurança", afirmou a Missão de Assistência das Nações Unidas
no Afeganistão (UNAMA) e o Gabinete do Alto Comissariado das Nações
Unidas para os Direitos Humanos num relatório conjunto.O documento baseia-se em entrevistas realizadas em 2024 a 49 afegãos forçados a regressar ao seu país. "O
regresso de indivíduos que correm o risco de perseguição, tortura,
tratamento ou punição cruel, desumano ou degradante, desaparecimento
forçado ou outros danos irreparáveis aos seus países, é uma violação do
princípio de não expulsão e uma grave violação do direito
internacional", acusaram a UNAMA e o Alto Comissariado.O Governo dos talibãs rejeitou as conclusões, acusando a ONU de divulgar "propaganda e rumores"."As
pessoas citadas no relatório terão sido imprecisas, talvez se oponham
ao sistema ou queiram fazer propaganda, espalhar boatos e utilizam para a
isso a UNAMA", disse à agência France-Presse o porta-voz do Governo,
Zabihullah Mujahid.Desde 2023, com o
início das campanhas de expulsão lançadas pelo Irão e pelo Paquistão,
milhões de afegãos regressaram ao seu país. Só em 2025, regressaram mais
de 1,9 milhões de pessoas, a grande maioria do Irão, de acordo com o
Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).Os
talibãs, que regressaram ao poder no Afeganistão em 2021, afirmam que a
lei islâmica imposta no país "garante" os direitos de todos.Na
quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros afegão, Amir Khan
Muttaqi, afirmou que o respeito pelos direitos humanos estava a ser
usado como "desculpa" por "certos países" — não identificados — para não
reconhecerem o "Emirado Islâmico", algo que só a Rússia fez.Paquistão,
Irão, Tajiquistão, além da Alemanha e os Estados Unidos, são alguns dos
muitos países que expulsaram ou anunciaram a intenção de devolver
afegãos ao seu país de origem.O
Tajiquistão, outro país vizinho, também anunciou a sua intenção de
expulsar os afegãos. Desde 08 de julho, pelo menos 377 foram expulsos,
informou o ACNUR à agência de noticiosa AFP.Na
semana passada, 81 afegãos também foram expulsos da Alemanha depois de
terem sido condenados, enquanto Washington anunciou a revogação do
estatuto de proteção temporária de milhares de afegãos em solo
norte-americano, argumentando que a segurança tinha sido restabelecida
no seu país.Mas, para a ONU, a situação humanitária no país é "grave".A organização pediu "a suspensão imediata" dos retornos, sobretudo quando há risco de "perseguição" ou "tortura"."No
Afeganistão, isto é ainda mais verdade para as mulheres e raparigas,
que são sujeitas a uma série de medidas que equivalem a perseguição
unicamente com base no seu género", afirmou hoje o Alto-comissário da
ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk. O
Afeganistão é o único país do mundo onde as jovens estão proibidas de
frequentar a escola após os 12 anos e onde as mulheres estão proibidas
de frequentar parques, ginásios, salões de beleza e universidades.