ONU acusa Irão de utilizar execuções como "instrumento de intimidação"
29 de ago. de 2025, 16:32
— Lusa/AO Online
“As
autoridades iranianas executaram pelo menos 841 pessoas desde o início
do ano e até 28 de agosto de 2025, de acordo com informações recolhidas
pelo Gabinete dos Direitos Humanos da ONU, ignorando os múltiplos apelos
para se juntarem ao movimento global para a abolição da pena de morte”,
disse uma porta-voz da organização internacional Ravina Shamdasani.Só em julho 110 pessoas foram executadas, com um impacto
desproporcionado nas “minorias étnicas e nos migrantes”, de acordo com
os dados recolhidos pela ONU.O número de
execuções em julho “representa mais do dobro do número de pessoas
executadas em julho de 2024” e “surge após um aumento acentuado das
execuções durante o primeiro semestre” deste ano, o que faz parte de “um
padrão sistemático de utilização da pena de morte como instrumento de
intimidação do Estado”, indicou.Shamdasani
sublinhou que 11 pessoas estão atualmente no corredor da morte,
incluindo seis acusadas de “rebelião armada” por alegadamente
pertencerem à Organização Mujahedin do Povo do Irão e cinco por
participarem nos protestos de 2022, na sequência da morte sob custódia
policial da jovem curda Mahsa Amini, detida por alegadamente não estar a
usar corretamente o véu islâmico (hijab)."A
pena de morte é incompatível com o direito à vida e irreconciliável com
a dignidade humana. Cria um risco inaceitável de execução de pessoas
inocentes", afirmou Shamdasani, argumentando que esta sentença "nunca
deve ser imposta por uma conduta protegida pelo direito internacional
dos direitos humanos"."Apelamos ao Governo
do Irão para que não aplique a pena de morte a estas e a outras pessoas
que se encontram no corredor da morte", afirmou. A
porta-voz reiterou o apelo do alto comissário da ONU para os direitos
humanos, Volker Turk, para que o Irão "imponha uma moratória sobre a
aplicação da pena de morte como um passo para a abolição".O
relatório anual da organização não-governamental (ONG) de defesa dos
direitos humanos Amnistia Internacional, lançado em abril, referia que o
número de execuções pelos Estados que aplicam a pena de morte atingiu,
em 2024, o nível mais alto da última década, com 1.518 pessoas
executadas, a maioria no Irão, no Iraque e na Arábia Saudita.Com
base nos dados confirmados pela ONG, o Irão, o Iraque e a Arábia
Saudita foram responsáveis por 91% das execuções, com um aumento da
aplicação da pena capital em casos relacionados com droga.Homicídios
e violações são puníveis com a pena de morte no Irão e as execuções
públicas são geralmente realizadas por enforcamento ao amanhecer.