ONG pede "medidas concretas" para "travar atrocidades" em Gaza
Médio Oriente
6 de out. de 2025, 16:21
— Lusa/AO Online
"Os governos
precisam urgentemente de tomar medidas concretas para proteger os mais
de dois milhões de palestinianos de Gaza e os reféns israelitas",
defende Omar Shakir, diretor da organização não-governamental (ONG) para
Israel e Palestina, num comunicado divulgado na véspera do segundo
aniversário do conflito em Gaza.A
organização de defesa dos direitos humanos considera que o plano
apresentado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para
acabar com o conflito em Gaza, e que está atualmente a ser negociado
pelas partes - governo israelita e Hamas -, “não substitui as medidas
urgentes que os governos precisam de tomar para proteger os civis e
apoiar a justiça após dois anos de graves abusos em Israel e na
Palestina”.“Os governos devem tomar
medidas imediatas, incluindo embargos de armas, sanções direcionadas e
apoio ao Tribunal Penal Internacional (TPI), de acordo com as suas
obrigações legais internacionais de prevenir e impedir violações pelas
partes, independentemente de o plano de Trump seguir adiante”, defende a
HRW.A ONG afirma que “as atrocidades
cometidas em Israel e na Palestina nos últimos dois anos tiveram um
impacto devastador em civis, com milhares de mortos, mutilados,
famintos, deslocados à força e ilegalmente mantidos reféns ou detidos;
cidades e bairros arrasados; e inúmeras comunidades e vidas devastadas”.A
HRW apela aos governos “com influência sobre o Hamas e outros grupos
armados palestinianos” para que pressionem para a libertação urgente de
reféns civis, “um crime de guerra em curso”.Dos
251 reféns raptados no ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023, 48
permanecem detidos em Gaza, dos quais cerca de 20 estarão vivos.Por
outro lado, “as Nações Unidas, organizações de direitos humanos e os
meios de comunicação social têm repetidamente denunciado as ações das
autoridades israelitas em Gaza, que violam gravemente o direito
internacional”, afirma a ONG, que relata “numerosas violações das leis
da guerra que equivalem a crimes de guerra, crimes contra a humanidade,
incluindo extermínio, e atos de genocídio, e à violação de ordens
vinculativas do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ)”.Além
disso, a HRW denuncia que, na Cisjordânia, “centenas de palestinianos
foram mortos ou mutilados, milhares detidos, muitos sem julgamento ou
acusação, e dezenas de milhares deslocados, na sua maioria pelas forças
israelitas, mas também por colonos”.“A
escala da destruição em Gaza e os padrões dos ataques demonstraram o
desprezo do Governo israelita pelas suas obrigações fundamentais ao
abrigo do direito internacional”, critica.A
organização apela à comunidade internacional para que pressione as
autoridades israelitas para que “levantem imediata e incondicionalmente
as restrições ilegais à entrada de ajuda em Gaza” e que suspendam “a
assistência militar e as transferências de armas para Israel, o Hamas e
outros grupos armados palestinianos”.Pede
ainda “sanções específicas, incluindo proibições de viagem e
congelamento de bens, contra funcionários israelitas e outros implicados
de forma credível em violações graves em curso”, bem como a suspensão
de acordos comerciais com Israel e a proibição de comércio com colonatos
ilegais (na Cisjordânia).Os países devem
ainda, defende a HRW, expressar publicamente o seu apoio ao Tribunal
Penal Internacional – que emitiu mandados de captura contra Benjamin
Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant - e “condenar
veementemente os esforços para intimidar os seus funcionários e aqueles
que cooperam com o tribunal ou para interferir com o seu trabalho”.A
guerra declarada por Israel a 07 de outubro de 2023 em Gaza para
“erradicar” o Hamas fez, até agora, mais de 67.000 mortos e pelo menos
170.000 feridos, na maioria civis, segundo números atualizados das
autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.