ONG denuncia falta de acesso de refugiados à educação gratuita no Egito
Migrações
2 de dez. de 2024, 11:06
— Lusa/AO Online
“Muitos
refugiados e crianças requerentes de asilo no Egito encontraram as
portas das escolas encerradas, privando dezenas de milhares do seu
direito fundamental à educação”, disse Bassam Khawaja, diretor adjunto
para o Médio Oriente e norte de África da Human Rights Watch.Num
comunicado, a ONG criticou o facto de o Governo egípcio exigir um
documento de residência como pré-requisito para a matrícula nas escolas
públicas, um obstáculo impossível para muitas famílias de refugiados e
requerentes de asilo.Os filhos refugiados e
requerentes de asilo estão estimados em 246 mil, segundo o Fundo das
Nações Unidas para a Infância (UNICEF).Além
disso, esclareceu que algumas crianças enfrentam ‘bullying’, abusos e
práticas discriminatórias por parte de outros alunos e professores, o
que impede ainda mais a matrícula ou leva os alunos a abandonarem a
escola.“As autoridades devem remover
imediatamente as barreiras que mantêm as crianças refugiadas e
requerentes de asilo fora da escola, e os parceiros internacionais devem
apoiar urgentemente o financiamento humanitário para a educação dos
refugiados no Egito”, apelou a organização não-governamental.A
HRW referiu ainda que a Lei da Educação do Egito de 1981 garante o
direito à educação gratuita para os “cidadãos”, assim o Governo deve
alterar a lei para abranger todas as crianças do país, incluindo os
refugiados.Em novembro de 2023, uma
diretiva ministerial – alterou o decreto de 2014 – permitiu que os
refugiados “se matriculassem excecionalmente” nas escolas públicas.De
acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o
acesso à educação pública "em igualdade de circunstâncias com os
egípcios" está atualmente apenas disponível para cidadãos do Sudão,
Sudão do Sul, Iémen e Síria.De acordo com o
relatório do ACNUR de novembro passado, o Egito acolheu 834.000
refugiados e requerentes de asilo, mais do dobro do ano anterior,
enquanto o número real é provavelmente muito superior, já que o Governo
egípcio estima que 1,2 milhões de pessoas fugiram do Sudão para o Egito.