ONG brasileiras dizem que incêndios no país "refletem irresponsabilidade de Bolsonaro"
22 de ago. de 2019, 14:43
— Lusa/AO Online
"O fogo reflete a irresponsabilidade do
Presidente com o bioma (conjunto de ecossistemas) que é património de
todos os brasileiros, com a saúde da população da Amazónia e com o clima
do planeta, cujas alterações alimentam a destruição da floresta e são
por ela alimentadas, num círculo vicioso", declarou o grupo em
comunicado."As queimadas são apenas o
sintoma mais visível da antipolítica ambiental do Governo de Jair
Bolsonaro e do seu ministro do Meio Ambiente, o ímprobo Ricardo Salles,
que turbinou o aumento da taxa de desflorestação no último ano",
acrescentou a aliança de ONG.As
declarações do Observatório do Clima surgem horas depois de o chefe de
Estado brasileiro, Jair Bolsonaro, ter dito que as ONG podem ser
responsáveis pelos incêndios florestais que estão a ocorrer na região da
Amazónia.“O crime existe e nós temos de
fazer o possível para que esse crime não aumente, mas nós tirámos
dinheiros de ONG. Das transferências de fora, 40% iam para as ONG. Não
tem mais. (...) De forma que esse pessoal está a sentir a falta do
dinheiro", disse Bolsonaro, à saída do Palácio da Alvorada, em Brasília.O
Presidente brasileiro adiantou que considerava estranho os incêndios
deflagrarem em diversas áreas da Amazónia e, por isso, acredita que
poderiam fazer parte de um alegado plano orquestrado para prejudicá-lo,
embora não tenha apresentado qualquer prova para fundamentar as suas
suspeitas.“Então, pode estar a haver, não
estou a afirmar, ação criminosa desses 'ongueiros' [pessoas que
trabalham em ONG] para chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o
Governo do Brasil. Essa é a guerra que nós enfrentamos”, acrescentou o
chefe de Estado.Jair Bolsonaro voltou a
afirmar que as ONG que atuam na proteção do ambiente no Brasil estão ao
serviço de "interesses estrangeiros".O
Observatório do Clima frisa que desde que assumiram os seus mandatos,
Bolsonaro e Salles têm "desmontado as estruturas de governança ambiental
e os órgãos de fiscalização". Extinção de
órgãos responsáveis por planos de controlo da desflorestação na
Amazónia, cortes de verbas dedicadas à proteção ambiental, redução de
ações de fiscalização e a suspensão do Fundo Amazónia foram alguns dos
exemplos citados pelo grupo de ONG."A
combinação de autoritarismo e fanatismo ideológico do Presidente e do
seu ministro transformam em fumaça não apenas as árvores da Amazónia e a
reputação do Brasil, mas também o bem-estar de uma população que o
Governo federal deveria proteger e o nosso acesso a mercados
internacionais e a investimentos”, conclui o Observatório do Clima num
comunicado publicado no seu 'site'.