ONG acusam acordo migratório entre Itália e Albânia de violar direitos humanos
15 de nov. de 2024, 12:16
— Lusa/AO Online
Numa declaração
conjunta, as organizações não governamentais (ONG) afirmam que, de
acordo com os procedimentos estabelecidos no acordo celebrado entre Roma
e Tirana “não existem condições para realizar uma avaliação adequada do
estado de saúde das pessoas” no navio militar Libra, que faz as
transferências de migrantes resgatados no Mediterrâneo para a Albânia.“De
facto, não existem consultórios médicos ou salas designadas para o
efeito que garantam uma privacidade adequada e uma avaliação adequada de
um local seguro, nem existem ferramentas capazes de diagnosticar
determinadas condições clínicas e patologias, agudas ou crónicas”,
denunciam as organizações.As ONG salientam
que os centros de detenção construídos por Itália nas cidades albanesas
de Shengjin e Gjader são, "segundo a Organização Mundial de Saúde
(OMS), um fator de risco para a saúde física e mental, em particular
devido à possível propagação de doenças infecciosas e pelos baixos
padrões de cuidados, e também devido a doenças não transmissíveis”.Relativamente
ao sistema de seleção dos migrantes que podem ser transferidos para a
Albânia (homens adultos com boa saúde), as ONG consideram que “todos são
vulneráveis”, pelo que apelam aos trabalhadores de saúde para “não se
envolverem neste sistema discriminatório e degradante do ser humano”.Neste
momento, não existem migrantes nos centros albaneses, uma vez que as
duas tentativas feitas pelo Governo italiano falharam devido a decisões
judiciais.Na segunda viagem, realizada já
este mês, foram enviados oito imigrantes do Bangladesh e do Egito, mas
uma decisão do Tribunal de Roma suspendeu a sua detenção e o caso foi
transferido para a justiça europeia, pelo que foram devolvidos a Itália.O
mesmo aconteceu no dia 16 de outubro, quando a justiça italiana decidiu
não permitir a retenção de um primeiro grupo de 12 imigrantes enviados
para estes centros, por considerar que os países de repatriamento não
eram seguros.No centro de detenção do
porto de Shengjin, os migrantes passam por um processo acelerado para
determinar se têm direito a asilo, enquanto o centro de Gjiader se
dedica a acolher os migrantes rejeitados, para eventual repatriamento.No
entanto, as mulheres, crianças, famílias ou pessoas vulneráveis não
podem ser enviadas para os centros na Albânia, nem os imigrantes que
comprovem que estão a fugir de países considerados “inseguros”.O
Governo italiano reagiu às sentenças blindando por decreto a lista de
países seguros, mantendo tanto o Egito como o Bangladesh, numa tentativa
de facilitar a expulsão dos muitos imigrantes desses países que chegam
através do Mediterrâneo, mas novamente sofreu um revés judicial.