Onda de calor provocou excesso de mortalidade de 238 óbitos
15 de jul. de 2022, 10:59
— Lusa/AO Online
“Neste caso
concreto, este excesso pode ser atribuído à onda de calor. De facto,
temos tido nos últimos dias temperaturas extremas muito elevadas, quer
as máximas, quer as mínimas, e por um período bastante prolongado”,
disse a diretora-geral da Saúde à agência Lusa.Segundo
Graça Freitas, quando se analisa a mortalidade observada num
determinado período com a mortalidade que seria esperada se não houvesse
essa onda, há mais óbitos, o que “não quer dizer que essas mortes
fossem evitáveis”.De acordo com a
diretora-geral da Saúde, caso se mantenham os fenómenos meteorológicos
idênticos aos que se têm registado nos últimos dias, é previsível que
“continue a acontecer um número de mortes superior àquele que seria
esperado se não houvesse calor” extremo.Graça
Freitas salientou que, para isso, é relevante o facto de as
temperaturas mínimas também estarem elevadas, assim como a duração da
onda de calor, o que causa um impacto maior do ponto de vista
fisiológico.Segundo referiu, as pessoas
mais fragilizadas são mais atingidas por esta situação, sobretudo,
idosos que, em regra, acumulam várias doenças, mas também crianças e
pessoas com doenças crónicas.“O calor
interfere sobre essas patologias, caso das doenças respiratórias e
cardiovasculares, descompensando as doenças de base que as pessoas
tenham”, alertou Graça Freitas, que reiterou o apelo para o
acompanhamento próximo das pessoas mais vulneráveis nestas ocasiões.A
diretora-geral da Saúde salientou também a necessidade de manter a
hidratação, principalmente dos grupos vulneráveis, que deve ser feita
com a ingestão de oito copos de água por dia, “o mínimo necessário para
manter o corpo hidratado”.De acordo com a
autoridade de saúde, os dados atuais disponíveis sobre as previsões
meteorológicas apontam para a persistência de tempo muito quente e muito
seco em Portugal continental. O
indicador-sentinela do efeito previsto das temperaturas elevadas do ar
na mortalidade - o Índice Alerta ÍCARO, calculado pelo Instituto
Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) - atingiu hoje o valor de
1,28, o que se traduz num impacto significativo na mortalidade causado
por efeito da onda de calor.A DGS ativou o
grupo operativo do seu Plano de Contingência em 05 de julho, estando
também acionadas as respostas regionais e locais.Segundo
explicou Graça Freitas, este plano prevê a articulação, no âmbito do
Ministério da Saúde, com as estruturas de nível regional e local, que
também têm os seus grupos operativos e os seus planos de contingência,
recebendo os alertas que são emitidos.Além
disso, inclui um “grande plano de comunicação junto da população para
que as pessoas entendam que, apesar de serem medidas aparentemente
simples, podem fazer a diferença entre a vida e a morte", como a questão
da hidratação e o conforto térmico, referiu.Estão também
articuladas com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança
Social intervenções junto dos lares “onde estão as pessoas mais
vulneráveis” e em outras valências, como o apoio domiciliário, referiu.“Isso
são mecanismos que estão criados e depois são ativados sempre com
parcerias dentro do Ministério da Saúde, hospitais e ACES, com a
segurança social, com os mecanismos de proteção civil, com as
autarquias”, entre outras entidades, explicou Graça Freitas.