OMS tem nove casos confirmados e admite que ainda podem surgir mais

Hantavírus

Hoje 10:42 — Lusa/AO Online

Atendendo ao longo período de incubação do vírus, é provável que surjam mais casos nas próximas semanas, mas as pessoas que estavam no navio estão já sob vigilância médica e os infetados ou com suspeita de infeção estão isolados, pelo que "nada aponta para um surto maior", acrescentou Tedros Adhanom Ghebreyesus.O diretor-geral da OMS sublinhou que os números de casos suspeitos e confirmados "não mudaram muito" nas últimas semanas.Tedros Adhanom Ghebreyesus voltou a apelar a todos os países que receberam tripulantes e passageiros do navio para os coloquem numa quarentena de 42 dias e reiterou que "a avaliação da OMS" é que risco para a saúde e a população global continua a ser baixo.O diretor-geral da OMS falava em Madrid, numa conferência de imprensa ao lado do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, depois do desembarque e repatriamento na ilha de Tenerife, nas Canárias, no domingo e na segunda-feira, de mais de 120 pessoas que estavam no "Hondius".Depois de agradecer ao governo espanhol a operação que foi feita nas Canárias, Tedros Adhanom Ghebreyesus sublnhou que "os vírus não conhecem fronteiras e a maior imunidade vem da solidariedade, como a que mostrou Espanha".Agradeceu também a Cabo Verde, onde o navio esteve de quarentena, a cooperação na retirada do "Hondius" de três pessoas, duas delas doentes e outra considerada um contacto de especial risco, pela proximidade que tinha tido com uma das vítimas mortais.Cabo Verde não tinha, porém, capacidade para a operação de desembarque e repatriamento de todas as pessoas a bordo e as Canárias eram o porto seguro mais próximo, explicou, para voltar a justificar o pedido que foi feito a Espanha pela OMS e pela União Europeia.Pedro Sánchez reiterou que Espanha aceitou acolher o navio e coordenar a operação de desembarque e repatriamento de 125 pessoas de 23 nacionalidades por responsabilidade legal, atendendo aos tratados internacionais, por estarem a bordo 14 espanhóis e também, e sobretudo, por uma "obrigação moral"."Porque não protegeríamos os nossos compatriotas e quem precisa se está nas nossas mãos fazê-lo? Este mundo não precisa de mais egoísmo e de mais medo. Do que precisa é de países solidários", afirmou.Espanha é "uma sociedade comprometida com a saúde global, o direito internacional e o multilateralismo", acrescentou Sánchez, para quem "os desafios que enfrenta a humanidade, como as crises de saúde global, não respeitam fronteiras" e exigem cooperação internacional e organizações multilaterais como a OMS fortes e com recursos.O governo regional das Canárias opôs-se à realização desta operação em Tenerife e questionou porque tinha se ser feita em Espanha e não em Cabo Verde ou por que motivo não seguia o barco diretamente para os Países Baixos, país de bandeira no "Hondius" e do armador.Tedros Adhanom Ghebreyesus defendeu que obrigar as pessoas a ficar mais tempo dentro do navio ou a cumprir a quarentena no "Hondius" era "desumano e até cruel" e voltou a defender que há agora mais segurança e mais condições para controlar o surto, com tripulantes e passageiros vigiados e tratados em unidades de saúde nos respetivos países.O navio zarpou de Tenerife na segunda-feira ao final do dia, rumo a Roterdão, o destino final onde será desinfetado.A bordo seguiram 27 pessoas - um médico e uma enfermeira da OMS e 25 tripulantes.O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.