OMS só recebeu um quinto dos fundos necessários para afetados por sismo no Afeganistão
8 de set. de 2025, 17:11
— Lusa/AO Online
No seu último relatório da
situação, a OMS adiantou ter elaborado “um plano operacional para os
próximos seis meses centrado na expansão dos cuidados de saúde
primários, saúde reprodutiva, apoio psicossocial, ambulâncias e sistemas
de encaminhamento, bem como no fornecimento de medicamentos e
equipamentos médicos”.No entanto,
acrescentou, “ainda são necessários mais de cinco milhões de dólares
[4,2 milhões de euros] - já que apenas um milhão de dólares foi recebido
até à data - para sustentar e expandir as intervenções essenciais às
comunidades afetadas pelo terramoto”.Um
sismo de magnitude 6,0 na escala de Richter que atingiu a província
oriental de Kunar a 31 de agosto e foi seguido de vários outros
tremores, fez pelo menos 2.205 mortos, 3.640 feridos e destruiu 6.782
casas, afetando mais de 84.000 pessoas.A
crise num sistema já enfraquecido agravou-se com a destruição de pelo
menos 20 unidades de saúde, incluindo hospitais importantes na região, e
a deteção de centenas de casos de doenças infecciosas em Kunar, que
aumentou o risco de uma segunda emergência sanitária.A
organização, que mobilizou equipas de saúde e entregou 43 toneladas de
material médico, incluindo ‘kits’ para trauma e cólera, afirmou que a
continuidade destas operações depende da chegada de novos recursos.Embora
a União Europeia (UE), o Reino Unido, a Índia, os Emirados Árabes
Unidos e outros países tenham anunciado contribuições em dinheiro e
materiais, grande parte da ajuda ainda não foi registada pela OMS como
recebida, refletindo a natureza condicional da assistência internacional
ao Afeganistão em condições de isolamento político internacional.A
operação depende de uma ponte logística lenta e dispendiosa, com o
Dubai como centro regional para a OMS e outras agências, e sofre com a
fragmentação da ajuda que muitos doadores canalizam através de
organizações não-governamentais ou canais privados para impedir que os
fundos cheguem ao regime talibã.Após o
terramoto na Turquia e na Síria, em 2023, as Nações Unidas apelaram à
doação de mais de mil milhões de dólares (850 milhões de euros) para
ajudar milhões de vítimas.No Afeganistão,
porém, o financiamento internacional mal cobre uma fração do necessário,
apesar da gravidade do terramoto, que foi um dos mais mortíferos de
sempre naquele país.O desastre atingiu um
país onde quase metade da população já dependia da ajuda humanitária
para sobreviver e onde as restrições impostas pelo Governo talibã
limitam ainda mais o acesso a serviços básicos.