OMS salienta que inteligência artificial pode revolucionar cuidados mas alerta para riscos
18 de jan. de 2024, 17:47
— Lusa
Num
documento hoje divulgado, a OMS analisa os perigos e os benefícios do
uso na saúde de Grandes Modelos Multimodais (LMM, na sigla em inglês) -
um tipo de tecnologia de IA generativa em crescimento rápido.Os
LMM, como o GPT-4, criado pela OpenAI, ou o Bard, desenvolvido pela
Google, podem utilizar vários tipos de dados, incluindo texto, áudio,
fotos e vídeos, e gerar resultados que não estão limitados aos dados
introduzidos num algoritmo. "Prevemos que
os LMM serão amplamente utilizados e aplicados nos cuidados de saúde, na
investigação científica, na saúde pública e no desenvolvimento de
medicamentos", sustenta a OMS no guia hoje lançado com novas orientações
éticas para fomentar e garantir o uso seguro na saúde deste tipo de IA
generativa.Entre os principais benefícios
dos LMM na saúde, a OMS destaca o acelerar do diagnóstico e atendimento
clínico, nomeadamente através da resposta automática a questões dos
doentes; a execução de tarefas administrativas, como a documentação das
visitas de doentes ao médico em registos eletrónicos; o ensino, como o
fornecer aos formandos em medicina ou enfermagem encontros simulados com
doentes, e a investigação científica e o desenvolvimento de
medicamentos, incluindo a identificação de novas substâncias. A
OMS adverte que, apesar do seu grande potencial, os LMM podem produzir
resultados falsos, inexatos, tendenciosos ou incompletos que poderão ter
consequências nefastas para as pessoas, realçando que a vulnerabilidade
desta tecnologia aos riscos em matéria de cibersegurança poderá colocar
em perigo as informações relativas aos doentes, em suma a fiabilidade
dos cuidados de saúde."As tecnologias de
IA generativa têm o potencial de melhorar os cuidados de saúde, mas só
se aqueles que desenvolvem, regulam e utilizam estas tecnologias
identificarem e considerarem plenamente os riscos associados", assinalou
o cientista-chefe da OMS, Jeremy Farrar, citado em comunicado.De
acordo com Farrar, são necessárias "informações e políticas
transparentes para gerir a conceção, o desenvolvimento e o uso de LMM
para alcançar melhores resultados de saúde e superar as persistentes
desigualdades na saúde".No documento hoje
publicado, a agência da ONU recomenda que os governos incumbam as
autoridades reguladoras de aprovarem a utilização dos LMM nos cuidados
de saúde e pede que sejam feitas auditorias para avaliar o impacto desta
tecnologia.Segundo a OMS, é preciso ter
"regras em matéria de responsabilidade" para que os "utilizadores
lesados por LMM sejam corretamente indemnizados".A
OMS defende o envolvimento de governos, empresas, prestadores de
cuidados de saúde, doentes e sociedade civil em todas as fases de
desenvolvimento e aplicação das tecnologias de IA generativa, incluindo a
sua supervisão e regulamentação.