OMS preocupada com surtos de doenças

Venezuela/Sismos

Hoje 12:26 — Lusa/AO Online

“Os serviços de saúde estão sob extrema pressão, com instalações a funcionar para além da sua capacidade” face ao grande número de casos de trauma, disse o porta-voz da OMS Christian Lindmeier numa conferência de imprensa hoje realizada em Genebra.O número oficial – ainda provisório - de mortos causados pelos sismos é de pelo menos 1.719 pessoas, além de mais de cinco mil feridos, segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. A ONU, por seu lado, estima que aproximadamente 50.000 pessoas continuem desaparecidas.Segundo alertou o porta-voz da OMS, o risco de surtos de doenças cresce de dia para dia.“As interrupções nos serviços de saúde, nas redes de água e saneamento, aliadas à deslocação da população, podem alimentar surtos de doenças preveníveis pela vacinação, como o sarampo, a difteria e a tosse convulsa”, afirmou.Estes fatores podem também acelerar a propagação de doenças transmitidas pela água, incluindo a febre amarela, a dengue, a chikungunya, o zika, o oropouche e a malária, afirmou.“A Presidente interina [da Venezuela, Delcy Rodríguez] informou que 38 hospitais foram afetados”, acrescentou Christian Lindmeier.Até sábado passado, a OMS tinha conseguido recolher relatórios de situação de 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, sendo que três estavam em situação crítica, seis apresentavam danos estruturais ou estavam a funcionar apenas parcialmente, enquanto as restantes se mantinham operacionais, mas com restrições significativas, explicou.O porta-voz da OMS indicou que as avaliações iniciais apontam para uma grave interrupção no atendimento e na prestação de serviços aos doentes, caracterizada por sobrelotação nas unidades, longas listas de espera para cirurgias (principalmente em traumatologia-ortopedia e neurocirurgia), deficiências em biossegurança e equipas extremamente sobrecarregadas.“Entre as principais deficiências estão o colapso dos serviços forenses e das morgues, bem como sistemas inadequados para o registo de vítimas e o rastreio de pessoas desaparecidas”, acrescentou.