OMS pede cautela no regresso das viagens e diz que não há "risco zero"
Covid-19
31 de jul. de 2020, 12:54
— Lusa/AO Online
“O
processo de decisão deve incluir uma análise da situação, levando em
consideração o contexto local nos países de partida e destino”, avisa a
OMS, sublinhando que devem ser tidos em conta a epidemiologia local e os
padrões de transmissão, a saúde pública nacional e as medidas sociais
para controlar os surtos tanto nos países de partida como de destino.Num
documento divulgado, a organização alerta que é preciso capacidade
da saúde pública e dos serviços de saúde para gerir os casos suspeitos e
confirmados entre os viajantes, inclusive nos pontos de entrada
(portos, aeroportos, passagens de terra) “para mitigar e gerir o risco
de importação ou exportação da doença”.“O
levantamento gradual das viagens (ou restrições temporárias) deve ser
baseado numa avaliação completa dos riscos, levando em consideração o
contexto do país, os padrões locais de epidemiologia e transmissão, as
medidas nacionais de saúde e sociais para controlar o surto e as
capacidades dos sistemas de saúde nos países de partida e de destino,
inclusive nos pontos de entrada”, afirma a organização.Recomenda
que seja dada prioridade a viagens essenciais para emergências, ações
humanitárias (incluindo voos de emergência e evacuação médica), viagens
de pessoal essencial (incluindo equipas de emergência e de suporte
técnico de saúde pública, pessoal crítico no setor de transportes, como
os marítimos e os oficiais diplomáticos) e repatriamento.“Ao
transporte de carga também deve dada prioridade para suprimentos
médicos, alimentares e energéticos essenciais”, afirma a OMS, frisando
que os “viajantes doentes e pessoas em risco, incluindo idosos e pessoas
com doenças crónicas ou condições de saúde subjacentes, devem atrasar
ou evitar viajar internacionalmente para e de áreas com transmissão
comunitária”.Não há "risco zero" ao
considerar a importação ou exportação potencial de casos no contexto de
viagens internacionais, acrescenta.A OMS
chama igualmente a atenção para a necessidade de os países estarem
sempre atualizados sobre o conhecimento - em constante evolução - sobre a
transmissão da covid-19 e as suas características clínicas.O
documento hoje divulgado pretende fornecer aos governos e autoridades
de saúde dos Estados Membros da OMS “relevantes elementos" para serem
tidos em conta "no ajuste das medidas restritivas das viagens
internacionais à mudança da situação epidemiológica da pandemia de
covid-19” e à capacidade pública nacional dos serviços de saúde.Recorda
que o risco de importação de casos no país de chegada depende de vários
fatores, incluindo a situação epidemiológica no país de partida e no de
chegada: “Quando o país de partida e o país de chegada compartilham uma
intensidade semelhante da transmissão do vírus SARS-CoV-2, não há risco
substancial de impacto potencial na situação epidemiológica atual”.A
organização defende ainda que o processo de tomada de decisão para
reabrir as viagens “deve ser multissetorial e garantir a coordenação das
medidas implementadas pelas autoridades nacionais e internacionais de
transporte, e outros setores relevantes, e estar alinhado com as
estratégias nacionais gerais para ajustar medidas sociais e de saúde
pública”.“O trabalho entre setores é
essencial para a implementação adequada de medidas de saúde pública”,
aforma a OMS, acrescentando: “O setor do transporte é central para as
operações de viagens, mas o envolvimento de outros setores, como
comércio, agricultura, turismo e segurança, é essencial para capturar
todos os aspetos operacionais associados à retomada gradual das viagens
internacionais”.“Os países devem planear e
avaliar continuamente as suas capacidades de pico para testar,
rastrear, isolar e gerir casos importados e quarentena de contactos”,
sublinha ainda a organização.A OMS
recomenda os países a manterem a vigilância epidemiológica ativa, para
deteção de casos, isolamento, identificação e acompanhamento de
contactos, sublinhando que ela é central para gerir de forma eficaz a
pandemia de Covid-19.“Os casos suspeitos e
confirmados devem ser isolados rapidamente e os contactos dos casos
confirmados devem ser colocados em quarentena. Pessoas com suspeita ou
confirmação de COVID-19 e contactos de casos confirmados não devem
viajar”, aconselha ainda.No documento, a
OMS defende igualmente que os sistemas nacionais de vigilância da
Covid-19 só têm a ganhar com informações partilhadas através dos
sistemas de vigilância de doenças respiratórias existentes, como os da
influenza ou da doença respiratória aguda grave. “Uma
força de trabalho suficiente de profissionais de saúde pública ou de
saúde na comunidade treinados para deteção de casos e rastreamento de
contactos, além da comunicação de risco integrada e do envolvimento da
comunidade, inclusive pelos media, para garantir a aceitação da
população, são elementos essenciais para uma vigilância eficaz”, diz.Além
do risco para a saúde pública, “os países também devem ter em conta
outras considerações económicas, políticas e sociais ao decidir retomar
as viagens internacionais”, avaliando-as com os especialistas e as
autoridades apropriadas.