OMS pede atenção a aumento de casos de covid-19 e de gripe
24 de out. de 2022, 12:26
— Lusa/AO Online
No Dia Mundial da Pólio, a OMS citou o exemplo da poliomielite para justificar a utilidade da vacinação. "Não
é o momento de relaxar", afirmou o diretor-geral da OMS para a Europa,
Hans Kluge, durante uma conferência de imprensa online.No
início do outono, a região europeia, que reúne 53 países, entre os
quais alguns na Ásia central, é de novo o epicentro da epidemia,
contando 60% dos casos de covid-19 no mundo.Paralelamente, foi registado um pico de casos de gripe sazonal. Com
esta nova vaga de covid-19, as mortes e internamentos em cuidados
intensivos estão a aumentar apenas ligeiramente, disse a mesma fonte,
sublinhando a relação com a vacinação."A vacinação continua a ser um dos mecanismos mais eficazes contra a gripe e a covid-19, acrescentou.Esta
doença, que atinge sobretudo as crianças e provoca paralisias, quase
desapareceu do mundo ocidental, mas uma variante do poliovírus derivada
de vacinas orais foi recentemente detetada no Reino Unido, na Ucrânia,
em Israel e em Nova Iorque.Mais virulenta
do que o vírus natural, esta variante pode mesmo provocar sintomas
graves, como paralisias de membros em pacientes não vacinados. Rara, esta variante desenvolveu-se mais ao longo dos últimos anos devido a fracas taxas de vacinação em algumas comunidades."Em
todo o mundo, se deixarmos as pessoas para trás, o vírus da pólio é um
barómetro muito bom para nos dizer quem são", revelou um perito da OMS
Europa, Siddhartha Datta. "Trata-se de grupos desfavorecidos da
população, que por alguma razão não foram abrangidos pela recomendação
da OMS para uma cobertura (vacinal) de 95%".Nenhum caso do vírus natural da pólio é reportado na Europa há mais de 20 anos. "Não é algo que possamos tomar como garantido", defendeu Kluge.Em
toda a região, a cobertura pela terceira dose de vacinas antipolio
diminuiu 1% entre 2019 e 2020. Em 2021, apenas 25 dos 53 países
registaram taxas de vacinação contra a pólio em torno dos 95%.