OMS garante que nenhum camião humanitário da agência entrou em Gaza
Médio Oriente
21 de mai. de 2025, 17:07
— Lusa/AO Online
"Dois camiões
[com ajuda de outros atores humanitários] puderam entrar na terça-feira e
três outros tiveram o acesso negado, mas nenhum da OMS pôde entrar em
Gaza até agora", disse o diretor de Emergências Humanitárias da
organização, Mike Ryan, num debate sobre a situação sanitária nos
Territórios Palestinianos.Também presente
no mesmo debate, a delegação de Israel, que impôs um bloqueio
humanitário ao enclave palestiniano no início de março, argumentou que o
grupo extremista Hamas (que controla o território desde 2007) utilizou a
ajuda humanitária que entrou anteriormente em Gaza para lucrar com a
sua venda e "prolongar a guerra".A
população da Faixa de Gaza aguardava hoje desesperadamente a
distribuição de ajuda humanitária, à medida que aumenta a pressão
internacional sobre Israel, acusado de só permitir a entrada no
território palestiniano de uma ínfima parte do apoio necessário.O
relato foi feito pela agência de notícias France-Presse (AFP) que
recolheu testemunhos, via telefone, de habitantes do enclave
palestiniano, cenário de uma guerra entre Israel e o grupo extremista
Hamas desde outubro de 2023."A situação é
insuportável. Não chegou nenhuma ajuda e ninguém nos distribui nada",
disse à AFP Oum Talal al-Masri, 53 anos, por telefone, a partir de um
bairro da cidade de Gaza."Mal conseguimos
preparar uma refeição por dia. A ajuda não é um luxo - precisamos
urgente e desesperadamente de tudo: alimentos, medicamentos, água
potável e produtos de higiene", acrescentou.Após
mais de dois meses e meio de bloqueio total imposto à Faixa de Gaza,
Israel anunciou que tinha autorizado a passagem de uma centena de
camiões da ONU na segunda e terça-feira.A
autorização por parte de Israel de uma ajuda limitada a Gaza na
segunda-feira foi descrita pela ONU como "uma gota no oceano" e 22
países exigiram a retoma "imediata da ajuda total".O
Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários (OCHA)
queixa-se de que as condições impostas por Israel estão a dificultar a
entrega da ajuda aos seus destinatários finais, depois de ter entrado em
Gaza."De momento, a ajuda não passa de
palavras", lamentou ainda Oum Talal al-Masri, à medida que Telavive
intensifica a sua ofensiva militar no território.