OMS diz que faltam pelo menos 90 mil milhões de dólares para mecanismo de vacinas
Covid-19
10 de ago. de 2020, 14:43
— Lusa/AO Online
Numa conferência de imprensa na sede daquela
agência da ONU, Tedros Ghebreyesus afirmou que há “uma grande distância”
entre o que a OMS estabeleceu como meta para o programa de aceleração
de produção de vacinas e a quantidade de dinheiro que está alocada. “Embora
estejamos gratos àqueles [países] que contribuíram, só temos 10 por
cento dos [mais de 100] mil milhões de dólares que serão necessários”
apenas para desenvolver e garantir a distribuição equitativa pelo mundo
de vacinas que venham a ser criadas, afirmou o diretor geral da OMS. “Parece
e é muito dinheiro” mas mesmo assim “é pouco em comparação com os 10
biliões de dólares que os países do G20 já investiram em estímulos
fiscais para lidar com as consequências da pandemia”.Tedros
Ghebreysus defendeu que é preciso acelerar o financiamento do chamado
Acelerador-ACT, uma iniciativa da OMS a que aderiram dezenas de países,
incluindo Portugal, para agilizar e partilhar os resultados de
investigação de vacinas e terapias para o novo coronavírus.O
diretor-geral da OMS afirmou que há “dezenas de terapias” em análise e
que a primeira que provou ter resultados contra casos graves da doença –
o anti-inflamatório dexametasona – está a ser produzido em maior
escala.Destacou que medidas “fortes e
precisas” tomadas por vários países, do Ruanda à França, são o
necessário para conseguir conter surtos da doença.“Todos
os testes e tratamentos para a covid-19 são gratuitos no Ruanda, por
isso não há barreiras financeiras que impeçam as pessoas de serem
testadas. E quando alguém está positivo, fica isolado e os profissionais
de saúde vão a todos os potenciais contactos para os testar”, indicou.“Em
França, o Presidente [Emmanuel] Macron decretou o uso obrigatório de
máscaras em espaços exteriores com muitas pessoas para responder a um
aumento de casos”, acrescentou.Numa altura
de regresso às aulas ou preparação do próximo ano letivo em muitos
países, é importante garantir que “alunos, pessoal e professores estão
seguros”, o que só se consegue controlando a transmissão do novo
coronavírus nas comunidades, apontou.“Os
países que tiveram sucesso estão a usar uma abordagem baseada no risco
para abrir setores da sociedade, incluindo as escolas”, salientou.A
pandemia de covid-19 já provocou mais de 731 mil mortos e infetou mais
de 19,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um
balanço feito pela agência francesa AFP.