OMS desaconselha circulação do vírus para se atingir imunidade de grupo
Covid-19
12 de out. de 2020, 16:15
— Lusa/AO Online
“Deixar circular um vírus
perigoso que ainda não entendemos completamente não é ético nem é uma
opção”, afirmou o secretário-geral da organização, Tedros Ghebreyesus,
numa conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia na sede da
OMS, em Genebra.Ghebreyesus frisou que
deixar o vírus que provoca a covid-19 sem controlo “significaria
infeções desnecessárias, sofrimento desnecessário e mortes
desnecessárias”.“Imunidade de grupo”,
apontou, é um conceito médico relacionado com vacinação, que se verifica
quando determinada população consegue estar protegida de uma doença
infecciosa “a partir de um limiar” de pessoas vacinadas.Por exemplo, no sarampo, esse limiar é 95%, enquanto para a poliomielite o limiar mínimo é 80%, indicou.Quando
há essas taxas de imunização, o resto das pessoas que não estejam
imunes acaba por estar protegida porque a doença não se espalha entre a
população.“A imunidade de grupo atinge-se
quando se protegem as pessoas, não quando se expõem às doenças”,
declarou, salientando que “nunca na história da saúde pública” se agiu
nesse sentido.Pensar em deixar circular um
vírus como o SARS-Cov2, afirmou Tedros Ghebreyesus, coloca “problemas
científicos e éticos”, desde logo porque não há ainda certezas sobre a
capacidade de desenvolver imunidade sem vacina porque há casos de
pessoas que apanharam a doença duas vezes.Além
disso, referiu, só agora se estão a estudar verdadeiramente os efeitos a
longo prazo da covid-19 em pessoas que estiveram doentes.Por outro lado, combater a pandemia “não é uma escolha entre deixar o vírus à solta ou fechar um país”, referiu.Proteger
os mais vulneráveis, evitar concentrações que amplifiquem os contágios
são medidas de saúde pública que a OMS continua a defender.