OMS "condena fortemente" ataques a instalações de saúde no país
19 de abr. de 2023, 16:46
— Lusa
"A
OMS condena fortemente os ataques relatados a pessoal de saúde,
instalações de saúde e ambulâncias no Sudão; estes ataques, que parecem
ser em número cada vez maior, já levaram à morte de pelo menos três
pessoas e dois feridos, e limitam o acesso a cuidados de saúde que
salvam vidas, colocando mais pessoas em risco", disse o diretor regional
num comunicado hoje divulgado.No
comunicado, a OMS salienta que os "relatos de ataques militares contra
instalações de saúde, sequestro de ambulâncias com os pacientes e
paramédicos a bordo, pilhagem de instalações de saúde e de forças
militares a ocuparem instalações de saúde são profundamente
preocupantes".O comunicado da OMS surge no
mesmo dia em que o Sindicato dos Médicos do Sudão anunciou que mais de
metade dos hospitais da capital, assim como os das regiões periféricas,
foram encerrados, enquanto os restantes correm o risco de encerramento
devido à falta de pessoal médico e de abastecimento básico, no
seguimento da onda de violência que varre o país desde sábado."Os
ataques ao setor da Saúde são uma violação flagrante da lei
internacional e do direito à saúde, e têm de parar imediatamente; as
partes no conflito devem garantir o acesso seguro de pacientes, pessoal
de saúde e ambulâncias aos hospitais a todo o momento, e os pacientes
precisam de acesso a cuidados de saúde não apenas para tratar
ferimentos, mas também para outros serviços essenciais", lê-se ainda no
comunicado.Os combates, que começaram no
sábado, 15 de abril, entre o exército sudanês e as forças paramilitares
de apoio rápido (RSF), seguem-se a semanas de tensão sobre a reforma das
forças de segurança durante as negociações para formar um novo Governo
de transição. A luta pelo poder colocou o
general Abdel Fattah al-Burhan, comandante das forças armadas, contra o
general Mohammed Hamdan Dagalo, 'Hemedti', chefe das Forças de Apoio
Rápido, um grupo paramilitar, numa reviravolta face à organização
conjunta de um golpe militar em outubro de 2021, que derrubou o então
governo de transição que sucedeu a décadas de Omar Al-Bashir no poder.