OMS avisa que hepatite viral ainda é um "desafio global" apesar dos progressos
Hoje 10:35
— Lusa/AO Online
Segundo os dados mais
recentes, as hepatites virais B e C – responsáveis por 95% das mortes
mundiais relacionadas com a doença – causaram 1,34 milhões de mortes em
2024.Ao mesmo tempo, a transmissão continua, com mais de 4.900 novas infeções/dia, ou 1,8 milhões/ano.O
relatório hoje divulgado durante a Cimeira Mundial da Hepatite aponta
“avanços significativos” desde 2015, com o número de novas infeções por
hepatite B a cair 32% e as mortes relacionadas com a hepatite C a
diminuírem 12% globalmente. A prevalência
de hepatite B entre crianças menores de cinco anos também diminuiu para
0,6%, com 85 países a atingir ou superar a meta de 0,1% para 2030.Apesar
destes resultados, o relatório avisa que as taxas atuais de progresso
são insuficientes para atingir todas as metas para 2030, sublinhando a
“necessidade urgente” de acelerar os esforços de prevenção, testagem e
tratamento em todo o mundo.“Os países
estão a mostrar que eliminar a hepatite não é um sonho impossível, é
possível com um compromisso político sustentado, apoiado por
financiamento doméstico confiável”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros
Adhanom Ghebreyesus. Ao mesmo tempo – continuou -, este relatório “mostra que o progresso é muito lento e desigual”. “Muitas
pessoas permanecem sem diagnóstico e sem tratamento devido ao estigma,
sistemas de saúde frágeis e acesso desigual aos cuidados”, disse o
diretor-geral da OMS.Estimativas
atualizadas da OMS indicam que 287 milhões de pessoas viviam com infeção
crónica por hepatite B ou C em 2024, ano em que 900 mil pessoas foram
infetadas com hepatite B. A Região
Africana da OMS foi responsável por 68% das novas infeções por hepatite
B, mas apenas 17% dos recém-nascidos naquela região receberam a dose de
vacinação contra hepatite B ao nascer.Outras
900 mil infeções por hepatite C foram registadas em 2024. Segundo a
OMS, as pessoas que usam drogas injetáveis representaram 44% das novas
infeções, o que sublinha a necessidade urgente de serviços de redução de
danos mais robustos e práticas de injeção seguras.Das 240 milhões de pessoas com hepatite B crónica em 2024, menos de 5% estavam a receber tratamento. Os
dados indicam ainda que apenas 20% das pessoas com hepatite C foram
tratadas desde 2015, quando ficou disponível um novo tratamento de 12
semanas com uma taxa de cura de cerca de 95%.Devido
ao acesso limitado à prevenção e ao tratamento, estima-se que, em 2024,
1,1 milhões de pessoas morreram de hepatite B e 240 mil de hepatite C. A cirrose hepática e o carcinoma hepatocelular foram as principais causas de morte relacionadas com a hepatite. Segundo a OMS, grande parte das mortes por hepatite B ocorreu nas regiões da África e do Pacífico Ocidental.Dez
países – Bangladesh, China, Etiópia, Gana, Índia, Indonésia, Nigéria,
Filipinas, África do Sul e Vietname – foram responsáveis por 69% das
mortes relacionadas com a hepatite B em todo o mundo em 2024. As
mortes relacionadas com a hepatite C são mais dispersas
geograficamente. Em 2024, dez países foram responsáveis por 58% do total
global: China, Índia, Indonésia, Japão, Nigéria, Paquistão, Rússia,
África do Sul, Estados Unidos e Vietname.Apesar
destes desafios, a OMS refere que o progresso conseguido em países como
Egito, Geórgia, Ruanda e Reino Unido mostra que a eliminação da
hepatite como problema de saúde pública “é possível com compromisso e
investimento contínuos”.O relatório
identifica ações prioritárias para acelerar a eliminação da hepatite
como ameaça à saúde pública, incluindo a ampliação do tratamento para
infeção crónica por hepatite B, particularmente nas regiões da África e
do Pacífico Ocidental da OMS, e a expansão do acesso ao tratamento da
hepatite C na Região do Mediterrâneo Oriental da OMS.