OMS apela à redução de desigualdades no acesso à boa higiene das mãos
5 de mai. de 2021, 10:13
— Lusa/AO Online
No
Dia Mundial da Higiene das Mãos, a OMS lança um portal de monitorização
‘online’ que ajudará os países a identificarem as falhas e a resolver
os problemas.Em comunicado, a organização
considera que a higiene das mãos é “um sério desafio a qualquer
momento”, mas sublinha que a pandemia de Covid-19 “mostrou
dramaticamente quão importantes as boas práticas de higiene das mãos são
na redução do risco de transmissão, quando usadas como parte de um
pacote abrangente de medidas preventivas”.Uma
boa higiene das mãos “também é vital na prevenção de quaisquer infeções
adquiridas nos cuidados de saúde, na propagação da resistência
antimicrobiana e outras ameaças emergentes à saúde”, insiste.A
OMS frisa que a infeção adquirida durante a prestação de cuidados de
saúde é “um grande problema de saúde global”, mas lembra que os doentes
nos países subdesenvolvidos têm duas vezes mais probabilidade de se
infetarem nessas circunstâncias do que os dos países mais ricos (15% e
7%, respetivamente).O risco em unidades de
cuidados intensivos, principalmente em recém-nascidos, é entre duas a
20 vezes maior, refere a OMS, explicando que, nalguns países
subdesenvolvidos, apenas um em cada 10 profissionais de saúde pratica a
higiene adequada das mãos enquanto cuida de pacientes com alto risco de
infeções associadas aos cuidados de saúde nestas unidades porque
“simplesmente não têm instalações para isso”.A
OMS diz que a falta de recursos financeiros e a falta de condições das
infraestruturas são os principais desafios para melhorar nesta área,
referindo que o relatório de balanço global de 2020 sobre o programa
WASH (lavagem de mãos) em unidades de saúde revela que, globalmente, uma
em cada quatro unidades de saúde não tem serviços básicos de água e uma
em cada três tem produtos suficientes para higienizar as mãos.De
acordo com o relatório da OMS que abrange 88 países, o nível de
progresso dos programas de higiene das mãos e prevenção e controle de
infeções foi significativamente menor nos países subdesenvolvidos.Em
2018, apenas 45% dos países mais pobres tinham um programa nacional
deste género implementado, em comparação com 53% a 71% dos países mais
ricos. O orçamento definido para este programa estava apenas disponível
em 5% dos países subdesenvolvido, comparando com entre 18% a 50% dos
países mais ricos.Embora existissem
diretrizes nacionais sobre práticas de higiene e desinfeção das mãos em
50% dos países subdesenvolvidos e entre 69% e 77% dos países mais ricos,
apenas 20% e entre 29% a 57%, respetivamente, tinham planos e
estratégias de implementação.No geral, apenas 22% de todos os países monitorizaram a aplicação e o impacto destes programas.Assumindo
que poucos países têm capacidade para monitorizar estes programas com
eficácia, a OMS considera que o primeiro portal agora lançado “é uma
plataforma ‘online’ protegida para os países recolherem dados de uma
maneira padronizada e fácil de usar e fazer o ‘download’ das suas
análises após a introdução dos dados, juntamente com conselhos sobre
diversas áreas e abordagens para melhorias”.Os
dados da OMS indicam que as infeções adquiridas nos cuidados de saúde
afetam todos os anos milhões de doentes e profissionais de saúde em todo
o mundo. Quase nove milhões são registadas todos os anos só na Europa.Metade
destas infeções pode ser evitada com a implementação de práticas e
programas eficazes, incluindo estratégias de melhoria da higiene das
mãos. Essas estratégias também podem evitar três em cada quatro mortes
relacionadas com as infeções que ocorrem em unidades de saúde, refere a
OMS.“Investir em estratégias eficazes
também pode gerar retornos financeiros significativos. A implementação
de políticas de higiene das mãos pode gerar uma economia em média 16
vezes superior ao custo da sua aplicação”, acrescenta.