OMS alerta para sofisticação do marketing digital de álcool dirigido a jovens
10 de mai. de 2022, 12:29
— Lusa/AO Online
“Em
todo o mundo, morrem três milhões de pessoas todos os anos em resultado
do uso prejudicial do álcool – uma a cada 10 segundos – representando
cerca de 5% de todas as mortes”, adiantou a OMS, que publicou hoje um
relatório sobre a regulamentação da comercialização transfronteiriça de
bebidas alcoólicas.Segundo a organização, 13,5% de todas as mortes das pessoas entre os 20 e 39 anos estão relacionadas com o consumo de álcool.“O
álcool é classificado como uma das substâncias psicoativas mais
nocivas, mas os controlos sobre a sua comercialização aos consumidores
são muito mais fracos do que os controlos de outras substâncias
psicoativas”, salientou o relatório.De
acordo com o documento, o álcool é comercializado através de “técnicas
de publicidade e promoção cada vez mais sofisticadas”, incluindo a
ligação de marcas a atividades desportivas e culturais, assim como a
novas técnicas de marketing nas plataformas digitais.“No
passado, o marketing transfronteiriço era desenvolvido sob a forma de
televisão por satélite, rádio, revistas estrangeiras e jornais. Estas
formas de meios de comunicação transfronteiriços continuam, mas a
internet e a explosão nas plataformas de meios digitais, em particular
nas redes sociais, aumentaram a prevalência da comercialização
transfronteiriça de álcool em todos os países”, sublinha a OMS.Segundo
documento, a recolha e análise de dados sobre os hábitos e preferências
dos consumidores criou novas e crescentes oportunidades para os
produtores de bebidas alcoólicas direcionarem mensagens a grupos
específicos para além das fronteiras nacionais.“A
publicidade direcionada nas redes sociais é especialmente eficaz na
utilização desses dados, com o seu impacto reforçado por influenciadores
sociais e pela partilha de publicações entre utilizadores das redes
sociais”, alerta o relatório.O
documento salienta ainda que a produção e a comercialização de bebidas
alcoólicas tornaram-se cada vez mais concentradas e globalizadas, com as
grandes empresas desta área a constarem “entre as que mais gastam em
publicidade em todo o mundo entre produtores e vendedores de todos os
produtos e serviços”.“Através
do seu apoio a grandes eventos desportivos e recreativos globais,
regionais e nacionais, as empresas transnacionais de álcool são capazes
de sensibilizar as suas marcas para novos públicos”, alerta também a
OMS, ao considerar que o crescimento do comércio eletrónico facilitou
uma maior ligação entre os produtores de álcool e os consumidores
finais.De
acordo com a OMS, para além das crianças, outros segmentos da população
devem ser protegidos da comercialização de álcool, apontando o exemplo
dos grandes consumidores e dos que “precisam de apoio na sua decisão de
serem abstémios”.De
acordo com a OMS, embora a maioria dos países tenha alguma forma de
regulação para a comercialização de álcool nos meios tradicionais, quase
metade não tem regulamentação em vigor para a internet (48%) e para a
comercialização de álcool nas redes sociais (47%).