OMS acusa indústria tabaqueira de gastar milhões a tentar viciar crianças e jovens
Covid-19
29 de mai. de 2020, 18:00
— Lusa/AO Online
“Têm
um orçamento gigantesco para 'marketing'. Gastam em média um milhão de
dólares por hora porque precisam de encontrar utilizadores para
substituir os oito milhões que morrem prematuramente todos os anos”,
afirmou o coordenador da unidade Sem Tabaco da OMS, Vinayak Prasad, numa
conferência de imprensa virtual.A
pandemia da covid-19, uma doença que ataca na maior parte dos casos o
sistema respiratório, levou a indústria a adotar “táticas perversas”,
como a distribuição de máscaras respiratórias com os seus logótipos e a
patrocinar investigação de vacinas, indicou o diretor do departamento de
promoção da saúde da OMS, Ruediger Krech.Na
África do Sul, a indústria tabaqueira processou o governo por este se
ter recusado a considerar o tabaco um produto essencial durante o
confinamento imposto pela covid-19, indicou Prasad.Estas
iniciativas são de uma indústria que sente o seu mercado a escapar, até
porque durante a pandemia aumentaram as solicitações para programas que
ajudam a deixar de fumar.“A indústria
vira-se para mercados sem nenhuma ou pouca regulação” para “viciar uma
nova geração de jovens”, quando atualmente, já há “mais de 14 milhões de
crianças entre os 13 e os 15 anos que usam produtos de tabaco”,
destacou Krech.“A indústria quer mantê-los
viciados para conservar os seus lucros, mesmo sendo completamente
contra os princípios da saúde pública”, afirmou a presidente do
secretariado da convenção para regulação do tabaco, Adriana Blanco
Marquizo.Para isso, vendem “cigarros
eletrónicos com sabores, como se fossem pastilhas elásticas ou doces,
patrocinam-se festas e concertos” como táticas para viciar jovens.“Cem
milhões de fumadores começaram antes dos 15 anos”, lembrou Krech, que
citou números da Suíça segundo os quais 16,8 por cento dos jovens usam
cigarros eletrónicos, enquanto nos adultos a percentagem é de 15%.Números conjuntos de 39 países indicam que 09% os usam.A
nível mundial, 44 milhões de crianças e adolescentes fumam, segundo os
números da OMS, que considera que “todos os produtos de tabaco são
prejudiciais”, sem distinção entre cigarros e dispositivos como os
cigarros eletrónicos.“Se não tivermos
cuidado, arriscamo-nos a perder todo o caminho feito nos últimos 50
anos” contra o tabagismo, afirmou Krech, antecipando o Dia Mundial Sem
Tabaco, que se assinala todos os anos a 31 de maio.A
OMS “apela a todos os setores para ajudarem a travar as táticas de
‘marketing’ das indústrias do tabaco e similares, que são predadoras de
crianças e jovens”.