Oito em cada 10 crianças consome até três vezes por semana doces e salgados
19 de out. de 2021, 10:58
— Lusa/AO Online
O estudo COSI
Portugal, sistema de vigilância nutricional infantil integrado no estudo
Childhood Obesity Surveillance Initiative da OMS/Europa, coordenado
pelo INSA, envolveu 8.845 crianças de 228 escolas do 1.º Ciclo do Ensino
Básico, no ano letivo 2018/2019. A
análise da frequência de consumo semanal de alimentos e bebidas
reportado pelas crianças, com idades entre os seis e os oito anos,
mostrou que 16% consome quatro ou mais vezes por semana snacks doces
(biscoitos/bolachas doces, bolos, donuts) e 80% fá-lo até três vezes por
semana. Na mesma frequência, 71,3% das
crianças avaliadas bebe refrigerantes açucarados, sendo que 14,1%
consome estas bebidas quatro ou mais vezes por semana.
O consumo até três dias por semana de snacks salgados, como batatas
fritas de pacote, folhados ou pipocas, foi apontado por 82,4% das
crianças, adianta o estudo apresentado na primeira “Conferência do
Centro Colaborativo da Organização Mundial de Saúde em Nutrição e
Obesidade Infantil”, que está a decorrer no INSA, em Lisboa, e que visa
assinalar cinco anos de colaboração do Instituto com a OMS.
Questionadas sobre o consumo de leite, as crianças disseram que bebem
diariamente, preferencialmente leite magro ou meio gordo (71,8%),
enquanto 3,8% bebe leite gordo. O consumo
diário de iogurtes, sobremesas lácteas ou outros produtos lácteos foi
referido por 18,8% das crianças e de queijo por 7,1%.
Outras conclusões do estudo apontam que o consumo diário de carne caiu
de 17,3% em 2016 para 9,2% em 2019, mantendo-se superior ao de pescado
(3,8%). Relativamente às hortofrutícolas, o consumo diário de fruta foi mais frequente (63,1%) do que a sopa de legumes (57,3%).
Outro dos dados revelados pelo estudo COSI Portugal tem a ver com a
taxa de aleitamento materno, onde se verificou um aumento de 85,8%
(2016) para 90,3% (2019). Os Açores
mantêm-se como a região com menor taxa de aleitamento materno (67,8% em
2016 e 70,6% em 2019) e o Algarve com a maior (89,1% em 2016 e 92,1% em
2019). Perto de 42% das crianças foram
amamentadas durante mais de seis meses, refere o estudo, sublinhando que
o aleitamento materno tem “um efeito protetor consistente contra a
obesidade tardia e pode influenciar o desenvolvimento de doenças
crónicas não transmissíveis na idade adulta”.
A investigação também questionou os pais sobre como as crianças se
deslocam para a escola, tendo a maioria (66,5%) indicado que vão de
carro e 19% vão a pé. Para a maioria dos pais/encarregados de educação (62,7%), o caminho de ida e de regresso da escola não é seguro.
Relativamente ao número de horas que as crianças despendiam a fazer os
trabalhos de casa durante a semana, observou-se que 86,5% dedicavam até
uma hora por dia a realizar esta tarefa.
Durante o fim de semana verificou-se que 70,3% das crianças despendiam
uma ou mais horas para a realização dos trabalhos de casa ou para a
leitura, sendo que 21,8% destas passam cerca de duas horas por dia.
“Esta situação foi semelhante quando analisada por regiões, quer
durante a semana quer durante o fim de semana”, sublinha o estudo.
No que diz respeito ao tempo que as crianças despendiam a jogar no
computador, o estudo verificou que durante a semana 47,5% das crianças
utilizam-no cerca de uma hora por dia, um tempo que aumenta para duas
horas ou mais ao fim de semana.