Oficiais de Justiça pedem revisão de estatuto em visita da ministra aos Açores
14 de jun. de 2019, 09:41
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas no final de um encontro com a ministra das
Justiça, Francisca Van Dunem, o
coordenador regional do Sindicato dos Funcionários Judiciais, António
Salgueiro, recordou que a revisão do estatuto profissional dos oficiais
de Justiça “já era para estar decidida aquando da reorganização
judiciária” e foi remetida para uma próxima legislatura.Segundo
António Salgueiro, os membros do sindicato aproveitaram ainda a visita
da governante ao recém-criado Tribunal de Execução de Penas dos Açores
para denunciar que aquela instituição “está a funcionar à custa de
funcionários que saíram de outros tribunais.Desta forma, acrescentou, os oficiais de justiça que estão ali colocado "fazem falta noutros lugares”.Segundo
o delegado sindical, esta situação leva a “trabalho escravo, no sentido
de trabalho não remunerado que se faz além do horário de serviço”, que é
perpetuado “para que o Tribunal da Comarca dos Açores apresente os
resultados que tem apresentado e que seja, sem dúvida, um dos melhores
do país”.Em declarações aos jornalistas,
Francisca Van Dunem disse ter “um grande apreço e uma grande estima pelo
trabalho” dos oficiais de Justiça e reconheceu “a dimensão do que é o
esforço deles e a imprescindibilidade deles na construção dos resultados
finais da Justiça”. “Infelizmente, não
vai ser possível nesta legislatura rever o estatuto, mas isto não
significa que o estatuto fique paralisado no tempo”, prosseguiu,
acrescentando que essa revisão terá, “com certeza, prioridade, tendo em
conta que tem havido já revisões ao nível do estatuto dos magistrados
judiciais e do Ministério Público”.Questionada
sobre a falta de recursos humanos na justiça na região, em relação aos
oficiais de justiça, a governante admitiu “divergências relativamente
aos números” apontados como necessários e aqueles que o governo entende
serem precisos, mas lembrou que “vão entrar 100 em setembro e entraram
500 nesta legislatura”.Sobre os
magistrados do Ministério Público a nível nacional, a governante frisou
que é uma questão que não se pode resolver no imediato, porque implica
um período de formação.Contudo,
acrescentou, depois de se ter desbloqueado os ingressos no Centro de
Estudos Judiciais (CEJ), “têm entrado magistrados quer para a
magistratura no Ministério Público, quer para a judicial, sendo certo
que, nos dois primeiros anos, foi dada preferência ao Ministério
Público, justamente por causa da dimensão da investigação criminal”.No
que toca à Polícia Judiciária, a ministra apontou que foi aberto um
“concurso que vai permitir reforçar os efetivos da Polícia Judiciária em
cerca de 25%, o que é relevante”. “Nessa altura caberá à Direção Nacional da Polícia Judiciária fazer a repartição dessas pessoas”, prosseguiu.