Oficiais de justiça lançam abaixo-assinado em protesto contra acordo assinado com o Governo
5 de jul. de 2024, 11:10
— Lusa/AO Online
Segundo
o documento, a que a Lusa teve acesso, a iniciativa visa forçar “o
agendamento para discussão e votação dos projetos de lei” apresentados
por Bloco de Esquerda e PCP. Os bloquistas propõem o pagamento do
suplemento de recuperação processual (recuperação dos processos
pendentes) durante 14 meses e com retroativos a janeiro de 2021,
enquanto os comunistas defendem o pagamento desse suplemento a 14 meses e
a sua inclusão no ordenado.“A sociedade
contemporânea exige uma constante vigilância sobre as ações
governamentais, especialmente quando se trata de decisões que afetam
diretamente categorias profissionais. Neste contexto, é imprescindível
que todos os oficiais de justiça se unam para apelar ao plenário da
Assembleia da República para a discussão e votação”, lê-se no
abaixo-assinado.De acordo com os
promotores da iniciativa, os dois diplomas são considerados “essenciais
para o futuro profissional, já que o acordo firmado entre o governo e o
Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) não responde adequadamente às
expectativas, anseios e problemas que afetam a profissão”.Entre
as principais críticas ao acordo assinado em junho entre o Governo e o
SFJ estão, segundo o abaixo-assinado, a “precariedade do acordo, com
duração limitada”, “a desistência pela integração” do suplemento de
recuperação processual no vencimento e o não pagamento desta verba com
retroativos a janeiro de 2021.“Os projetos
de lei, da autoria dos grupos parlamentares do BE e do PCP, visam
justamente corrigir as injustiças não contempladas no acordo firmado
entre o governo e o SFJ”, referiram ainda os promotores, destacando que a
“aprovação desses projetos de lei trará um impacto positivo e
significativo para a profissão”.Questionado
pela Lusa sobre o abaixo-assinado, o presidente do Sindicato dos
Oficiais de Justiça (SOJ), Carlos Almeida, realçou que o SOJ não é o
promotor do abaixo-assinado a circular pelos profissionais de todo o
país, mas assegurou que o sindicato se revê no documento.“Aquilo
que dissemos é que, de facto, é importante que o parlamento também
possa expressar a sua posição relativamente a projetos de lei que estão
no parlamento para ser votados e recordar que o próprio PSD, no passado,
teve um projeto de lei idêntico a esses que estarão a ser apreciados”,
frisou.Carlos Almeida enfatizou igualmente
que esta ação não se enquadra em “movimentos inorgânicos” na classe dos
oficiais de justiça, mas sim “no exercício pleno da democracia”.O
Governo alcançou no passado dia 05 de junho um acordo com o SFJ, que
prevê a subida do suplemento de recuperação processual de 10% do salário
pago em 11 meses para 13,5% do salário pago em 12 meses, com efeito a
01 de junho.No entanto, o acordo não foi
subscrito pelo SOJ, que já avançou com uma greve por tempo indeterminado
e propôs ao Ministério da Justiça a subida de 13,5% para 15% do valor
do suplemento de recuperação processual, exigindo ainda a integração
deste valor no vencimento dos funcionários judiciais.