Oceano deve integrar domínios estratégicos da Agência para a Investigação e Inovação

Hoje 10:49 — Ana Carvalho Melo

Os cinco maiores centros de investigação na área do mar em Portugal - MARE, CESAM, CIIMAR, CCMAR e Okeanos -  assinaram, em conjunto, um manifesto a pedir à Agência para a Investigação e Inovação (AI2) que reconheça o Oceano como um dos Domínios Estratégicos nacionais.Os centros defendem que o mar deve beneficiar de um investimento sustentado, para além do financiamento atribuído projeto a projeto. Entre as prioridades identificadas estão o acesso a navios de investigação e a veículos submarinos operados remotamente ou de forma autónoma, a estabilização das carreiras científicas e a criação de um programa nacional de monitorização do oceano.O manifesto propõe ainda um ecossistema nacional de dados marinhos interoperável, articulado com o gémeo digital europeu do oceano, bem como mecanismos de ligação entre a investigação científica, as políticas públicas e o setor empresarial.Em declarações ao Açoriano Oriental, Gui Menezes, diretor do Okeanos - Instituto de Investigação em Ciências do Mar, da Universidade dos Açores, destacou que a importância desta área é evidente num país cuja Zona Económica Exclusiva abrange cerca de 1,7 milhões de quilómetros quadrados.“Portugal não é apenas um país com mar. É um país definido pelo mar”, lê-se no manifesto, que refere que os cinco centros subscritores do documento representam mais de 900 investigadores doutorados, mais de 10 500 publicações científicas e mais de 700 projetos financiados nos últimos cinco anos.Segundo Gui Menezes esta preocupação é uma consequência da fusão entre a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a Agência Nacional de Inovação (ANI), processo que na sua opinião pode conduzir a uma maior concentração do financiamento público na investigação aplicada e desenvolvida em contexto empresarial.E neste contexto, o investigador defende que a ciência fundamental deve continuar a dispor de financiamento adequado, por constituir a base do conhecimento que permite, posteriormente, desenvolver aplicações, produtos e inovação.“Sem investigação fundamental, não há investigação aplicada”, afirmou Gui Menezes, sublinhando que “a ciência não é feita para a economia”. Na sua perspetiva, a ciência deve ser entendida, antes de mais, como uma atividade de produção de conhecimento, não podendo ficar subordinada exclusivamente a resultados económicos imediatos.Gui Menezes recorda ainda que a decisão de extinguir a FCT foi anunciada sem uma discussão prévia com as universidades, os reitores e a comunidade científica.“Nós soubemos da notícia da extinção da FCT pelas notícias, pela rádio”, afirmou, defendendo que alterações desta dimensão devem ser preparadas e discutidas com as instituições envolvidas.O diretor do Okeanos considera ainda que as decisões relativas ao financiamento da ciência poderão ter consequências particularmente relevantes nos Açores, uma região com uma longa tradição de investigação marinha e que atravessa uma fase de transformação das suas infraestruturas científicas e tecnológicas.