OCDE recomenda a Portugal redução da carga fiscal sobre salários mais baixos
Hoje 12:22
— Lusa/AO Online
No relatório “Fundamentos para o
Crescimento e a Competitividade 2026” - publicado hoje pela Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e que inclui
propostas de reformas aos países para aumentar a produtividade e o
crescimento – refere-se que “o desempenho económico de Portugal continua
a ficar aquém do das economias mais avançadas” da organização.“Embora
o fosso na taxa de investimento tenha diminuído, o fraco crescimento da
produtividade a longo prazo conduziu a um fosso persistente na produção
por hora trabalhada”, aponta.Segundo a
OCDE, o “défice considerável no PIB [produto interno bruto] ‘per capita’
reflete também o desempenho relativamente fraco do mercado de trabalho
português”, que, apesar de apresentar uma taxa de desemprego
“historicamente baixa”, continua com taxas de emprego “relativamente
fracas entre os jovens” e com “margem para melhorias no que diz respeito
às mulheres e aos trabalhadores mais velhos”.“As
mudanças estruturais em curso, o lento crescimento da produtividade e o
envelhecimento da população exigem uma economia adaptável,
salvaguardando a competitividade e a sustentabilidade orçamental através
da promoção de ganhos sustentados em termos de produtividade e
emprego”, defende o relatório.Para a OCDE,
a redução das barreiras regulamentares à concorrência “facilitaria a
entrada e o crescimento de ‘start-ups’ inovadoras”, enquanto a melhoria
dos serviços de formação e de acolhimento de crianças e o reforço dos
incentivos ao trabalho para os trabalhadores mais velhos e os
desempregados de longa duração “permitiriam prolongar a vida ativa e
atenuar a escassez de competências”.Relativamente
ao sistema fiscal português, o relatório diz que “depende fortemente
dos impostos sobre o trabalho”, penalizando os trabalhadores com baixos
salários, enquanto os impostos sobre a propriedade “são comparativamente
baixos”.Ao mesmo tempo, “inúmeras
despesas fiscais geram perdas de receitas consideráveis e aumentam os
custos de conformidade”, com destaque para o Imposto sobre o Rendimento
das Pessoas Coletivas (IRC), que “tem muitas isenções, bem como uma
sobretaxa estatal e sobretaxas municipais e taxas reduzidas para as
pequenas e médias empresas”.Neste
contexto, a OCDE defende uma simplificação do sistema fiscal e um
alargamento da base tributária, “eliminando isenções fiscais ineficazes e
distorcionárias” e usando este espaço orçamental para baixar as taxas
de imposto e reduzir os custos laborais para os trabalhadores com baixos
salários, transferindo a carga fiscal sobre o trabalho para os impostos
sobre a propriedade recorrentes.Já no
mercado de trabalho, a organização aconselha que se dinamizem e melhorem
as competências da força de trabalho atual, de forma a aumentar a
produtividade, nomeadamente no que respeita aos jovens, mulheres e
trabalhadores mais velhos.Neste sentido,
recomenda o desenvolvimento de normas nacionais de certificação de
qualidade para programas de aprendizagem ao longo da vida e o
alargamento do acesso a serviços de acolhimento de crianças de qualidade
e a preços acessíveis, “dando prioridade aos agregados familiares de
baixos rendimentos e às zonas carenciadas”.Propõe
ainda um melhor equilíbrio da proteção entre os diferentes tipos de
contrato, promovendo os contratos permanentes (em detrimento dos
contratos de trabalho temporário, cuja utilização “continua elevada”) e
reduzindo o custo dos despedimentos.A
habitação é outra das áreas destacadas pela OCDE, que indica uma
necessidade de reforçar acessibilidade e a mobilidade num contexto de
“aumento acentuado dos preços das casas e das rendas” em que sobretudo
os jovens “enfrentam dificuldades para comprar, alugar, pagar a hipoteca
ou mudar-se para encontrar habitação adequada ou melhores empregos”.Simplificar
e harmonizar os procedimentos de licenciamento de construção entre
municípios é uma das recomendações feitas, assim como transferir
gradualmente a carga fiscal das transações para os impostos recorrentes
sobre bens imóveis (atualizando regularmente os valores tributáveis dos
imóveis segundo os valores de mercado) e aumentar o parque de habitação
social de arrendamento.A OCDE defende
ainda uma melhoria da qualidade da regulamentação ao nível da
concorrência e uma maior aposta na área da energia, onde o investimento
público “tem ficado aquém da média” da organização, num contexto em que
Portugal enfrenta “riscos crescentes decorrentes de incêndios
florestais, secas e subida do nível do mar”.