OCDE alerta para generalizada falta de dados sobre o bem-estar das crianças
1 de jul. de 2021, 12:12
— Lusa/AO online
Nas
últimas décadas, a disponibilização de dados internacionais sobre o
bem-estar melhorou “consideravelmente”, mas essas informações continuam a
ser escassas e limitadas diz a OCDE no relatório “Medir o que é
importante para o bem-estar das crianças e políticas”, em que refere
também que “ainda há muitas áreas das vidas das crianças que não estão
bem abrangidas ou, em alguns casos, não estão abrangidas de todo pelos
dados internacionais”.No
documento, a OCDE descreve um “enquadramento aspiracional” que os
países deveriam seguir para medir o bem-estar infantil, assente em
quatro áreas nucleares: o acesso a recursos materiais, o estado de saúde
e desenvolvimento físico, aspetos sociais, emocionais e culturais e
aqueles relacionados com a educação e desenvolvimento cognitivo.De
acordo com o relatório, esta última área - educação e desenvolvimento
cognitivo - é a única em que os dados tendem a estar amplamente
disponíveis, além da saúde e bem-estar físico, mas apenas a respeito dos
adolescentes.“Algumas
dimensões das vidas das crianças têm uma cobertura melhor do que outras
nos dados internacionais”, sublinha a organização, referindo que, ao
contrário dessas áreas, existe uma escassez de dados comparáveis
referentes ao bem-estar social e emocional das crianças, ao seu
bem-estar económico e material e, de maneira geral, sobre as crianças
nos primeiros anos de vida.Além
desta faixa etária, existem também grupos específicos sobre os quais a
informação disponível é insuficiente, designadamente as crianças em
posições marginalizadas, por exemplo, com deficiências,
institucionalizadas, em contexto familiar de violência ou em situação de
sem-abrigo.O
relatório denota também uma preocupação em conhecer melhor as perceções
das próprias crianças e jovens e essa é precisamente uma das
prioridades recomendadas pela OCDE.“Os
especialistas veem cada vez mais o valor de ouvir os pensamentos e
visões das crianças sobre aspetos das suas próprias vidas, por múltiplos
motivos”, sublinha a organização, apesar de reconhecer as dificuldades
em recolher dados deste tipo.Perante
este cenário, a OCDE aponta a necessidade de ações coordenadas de
governos, organizações internacionais e da comunidade para melhorar a
disponibilização de dados sobre as crianças que permitam a comparação
entre países.“Esta
é uma tarefa considerável. Exigirá investimentos significativos e o
compromisso a médio a longo prazo de todos os atores envolvidos”, lê-se
no relatório, que acrescenta, por outro lado, que “o desenvolvimento de
políticas de bem-estar infantil requer informações profundas e sólidas”
sobre aquelas áreas centrais.Em
concreto, a OCDE refere a necessidade de preencher lacunas especificas,
como o contexto familiar das crianças, a sua saúde, as suas perceções e
confiança relativamente à sua identidade, pessoal, de género, social e
cultural, ou as aprendizagens em áreas além da leitura, matemática e
ciência, que são as mais frequentemente analisadas.