Obstreta do bebé que nasceu com malformações em 2019 proibido de exercer "qualquer ato profissional"
1 de mar. de 2023, 12:00
— Lusa/AO Online
Artur Carvalho está
“proibido definitivamente de praticar qualquer ato profissional médico a
partir do dia 01 de março de 2023, por deliberação do Conselho Superior
datada de 29 de novembro de 2022, que procedeu à execução da referida
sanção”, lê-se num edital divulgado hoje pela OM. “O
Dr. Artur Fernando Silvério de Carvalho, com a cédula profissional n.°
18691, foi punido com a sanção disciplinar de expulsão por acórdão
proferido pelo Conselho Disciplinar Regional do Sul a 23 de novembro de
2021”, no âmbito de um processo disciplinar, acrescenta a OM.A proposta de expulsão, sanção disciplinar máxima prevista nos Estatutos da OM, de Artur Carvalho data de 05 de junho de 2020. “No
caso do bebé Rodrigo [que nasceu com malformações no rosto], o Conselho
Disciplinar Regional do Sul da Ordem dos Médicos determinou a suspensão
por cinco anos do médico. O mesmo Conselho Disciplinar tinha em fase
final de instrução outros cinco casos que foram apensados num único
despacho de acusação. A decisão deste foi a pena máxima prevista nos
Estatutos da Ordem”, afirmou a mesma fonte, na ocasião.No
entanto, na altura, o advogado do médico afirmou que o seu cliente iria
“recorrer da proposta de expulsão” do Conselho Disciplinar da OM.Em
06 de maio de 2021 o Ministério Público (MP) de Setúbal arquivou um
inquérito instaurado ao obstetra, considerando que a malformação do feto
“não resultou de erro, omissão ou negligência do médico”, embora tenha
reconhecido que o obstetra “violou regras e normas a que estava
vinculado [‘legis artis’]”.Rodrigo nasceu
em 07 de outubro de 2019 no Hospital de São Bernardo, do Centro
Hospitalar de Setúbal, com várias malformações graves, como falta de
olhos, nariz e parte do crânio, sem que o médico Artur Carvalho, que
realizou as ecografias de acompanhamento da gravidez, tivesse detetado
ou sinalizado aos pais qualquer problema.O
obstetra que realizou as ecografias numa unidade privada, a Ecosado,
tinha já cinco queixas em curso na Ordem dos Médicos, algumas desde
2013.Entretanto, o médico obstetra aposentou-se em junho de 2020 depois de ter sido sancionado pela Ordem dos Médicos.