Observatório de Vila Nova ‘carrega’ início da 85.ª edição e muda guião
Volta
22 de jul. de 2024, 09:53
— Lusa/AO Online
Começando em Águeda, com 5,5
quilómetros de prólogo que marcam as primeiras diferenças, a Volta sai
de Sangalhos, o ‘epicentro’ do ciclismo nacional com o Velódromo ali
instalado, até ao Observatório de Vila Nova.Esta
contagem de primeira categoria em Miranda do Corvo, onde Frederico
Figueiredo (Sabgal-Anicolor) se impôs na sua única ascensão em 2022,
esteve ausente do traçado no ano passado e regressa agora, depois de ter
dado ‘espetáculo’.Sucede que esta
colocação ‘sobrecarrega’ o pelotão antes do dia de descanso, em 29 de
julho, uma vez que a subida à Torre, de categoria especial, chega este
ano logo ao quarto dia de corrida – criando dois dias de alta montanha
na primeira metade, quando a Serra da Estrela costuma estar sozinha
nessa fase, deixando outra dificuldade para a segunda parte, com a
Senhora da Graça.Esta alteração obrigará a
novo figurino tático para as equipas que querem disputar a geral final,
fugindo ao tradicional ‘menos a mais’ do ciclismo português, com alguns
candidatos a poderem ficar já de fora após o Observatório – depois da
Torre, ao quarto dia de competição, muito do ‘top 10’ deverá estar já
definido.Antes, o pelotão evoca a viagem
da coluna liderada por Salgueiro Maia no 25 de abril de 1974, ligando
Santarém a Marvila em 164 quilómetros, para deixar brilhar os sprinters.No
domingo, antes do dia de descanso, o pelotão chega à Guarda tendo saído
do Sabugal, para novo final ‘empinado’ e, neste caso, empedrado, numa
contagem de montanha de terceira categoria.Com
duas etapas de alta montanha nas pernas, o pelotão tem duas etapas para
lá do Marão para ‘espreitar’ fugas vencedoras ou chegadas para os
homens mais rápidos, sobretudo nos 176,8 quilómetros entre Penedono e
Bragança na sexta tirada.Aquela capital de
distrito testemunha a partida seguinte, rumo a Boticas, esta com cinco
contagens de montanha, a última de primeira categoria, na Aldeia de
Torneiros, a poder aliciar candidatos à vitória final a ataques.Com
menos 50 quilómetros em relação à edição de 2023, em que o suíço Colin
Stüssi (Vorarlberg) se impôs ao pelotão nacional, voltando este ano para
tentar o ‘bis’, o traçado apresenta várias passagens familiares.Ambas
habituadas a estas lides, Viana do Castelo e Fafe recebem partida e
chegada, respetivamente, da oitava etapa, outra oportunidade para
velocistas, se forças houver, depois de outra chegada propícia, na
sétima etapa, disputada entre Felgueiras e Paredes.Em
03 de agosto, na nona e penúltima etapa, será o Monte Farinha a pôr
todos no lugar, com a subida de primeira categoria a encerrar os 170,8
quilómetros começados na Maia a caminho de nova romaria à Senhora da
Graça, numa jornada que inclui ainda as serras do Marão e do Alvão.Viseu,
que tinha acolhido o arranque em 2023, serve este ano de pano de fundo
para o último ato da 85.ª edição, com 26,6 quilómetros de ‘crono’ que
farão as últimas diferenças entre ciclistas, na oitava vez em que a
corrida termina nesta cidade, este ano Cidade Europeia do Desporto.Já
assumido é outro fator importante na disputa da Volta, a prova ‘rainha’
do calendário velocipédico português, no caso o forte calor que se
prevê para os 11 dias de competição, depois de um verão que, até aqui,
não fez subir especialmente o termómetro, dando poucas oportunidades de
adaptação aos ciclistas.De fora fica a
Serra do Larouco, em Montalegre, que tem sido palco de decisões, desde
logo no ano passado, uma vez que foi aqui que Colin Stüssi venceu e
conquistou a camisola amarela, para nunca mais a largar, depois de uma
edição em que a primeira metade foi muito menos dura do que será desta
feita.