Observatório Climático do Atlântico será instalado na ilha Terceira até 2027
30 de jul. de 2025, 09:21
— Maria Andrade
De acordo com a informação transmitida pelo presidente do Governo
Regional, José Manuel Bolieiro, foi adjudicado ao gabinete de
arquitetura MMC, sediado na Ilha Terceira, o projeto de execução para a
reabilitação do Observatório José Agostinho, que irá acolher o futuro
Observatório Climático do Atlântico.O anúncio foi feito na
intervenção do presidente do Governo Regional, proferida ontem, na Praia
da Vitória, na sessão de abertura da conferência “Tempo, Clima e a
Economia”.O projeto será entregue em novembro deste ano e, de
imediato, será lançado pelo IPMA o concurso público para as obras de
reabilitação, a decorrer ao longo de 2026. O novo observatório deverá
entrar em funcionamento no final de 2027.O investimento total ronda
os 2 milhões de euros, “repartidos em 1 milhão de euros de investimento
do IPMA, nas infraestruturas, e 1 milhão de euros do GRA, em aquisição e
instalação de equipamentos”, afirmou Bolieiro.Segundo José Manuel
Bolieiro, os Açores têm trabalhado para se afirmarem como território com
centralidade atlântica reconhecida a nível nacional e europeu,
valorizando o seu papel geoestratégico, geopolítico, mas também
científico.Neste contexto, Bolieiro anunciou também o projeto de
construção do Observatório Europeu do Mar Profundo, que será sediado na
Cidade da Horta, no Faial.A par destas iniciativas, está igualmente
prevista a modernização do Observatório da Montanha do Pico,
demonstrando o compromisso assumido com a investigação e o
desenvolvimento científico no arquipélago.Na ocasião, o presidente
do Governo Regional destacou a urgência da ação climática e o papel que
os Açores têm assumido nesse domínio. “A emergência da ação climática e
das suas alterações não dispensa o presente, isto é, não nos dispensa da
responsabilidade e de ação quanto ao próximo futuro. Vivemos um tempo
marcado por desafios sem precedentes nesta matéria. O planeta
encontra-se mergulhado numa emergência climática cujos impactos se
propagam por todos os continentes, atravessando fronteiras e afetando os
mais diversos setores de atividade e da própria vida tal como a
conhecemos”, disse.Sublinhou ainda que os Açores são mais vítimas
das alterações climáticas do que agentes da sua origem, “pois o seu
fazer nada tem haver com a excessiva carbonização da economia. Outros
são responsáveis por estes excessos”, afirmou.Destacou ainda que a
ação social, cultural e política na Região tem sido marcada pela
sustentabilidade e por políticas públicas ambientalmente responsáveis.
Bolieiro afirma que “as alterações climáticas destacam-se como um dos
maiores desafios enfrentados pelos açorianos e pela humanidade em geral.
Nos Açores somos um bom exemplo para o mundo”.Como exemplo disso
mencionou a criação de uma rede de áreas marinhas protegidas que cobre
30% da área marítima dos Açores, o que por sua vez representa 56% da
área marítima nacional, sendo esta a quinta maior entre os
Estados-membros da União Europeia. A concretização desta meta antecipou
largamente o prazo definido pelas Nações Unidas, que é 2030,
demonstrando, de acordo com o presidente, a liderança da Região nesta
matéria e o seu alinhamento com os objetivos de desenvolvimento
Sustentável da ONU e da União Europeia.O presidente do Governo
salientou ainda que o Pacto Ecológico Europeu deve oferecer um quadro
legal e financeiro que possibilite a transição ecológica de forma
eficaz, justa e inclusiva.Na sua intervenção relembrou o impacto do
Furacão Lorenzo, que causou prejuízos superiores a 330 milhões de euros
nos Açores e impôs dificuldades orçamentais e financeiras.Para dar
resposta a esses desafios, o Governo tem em curso o Programa Regional
para as Alterações Climáticas (PRAC), que prevê 145 medidas, das quais
115 são de adaptação e 30 de mitigação, abrangendo setores fundamentais
como transportes, agricultura, turismo, pescas, recursos hídricos,
resíduos, saúde e ecossistemas.“Cientes dos desafios e dos avanços
normativos e científicos, a Secretaria Regional do Ambiente e Ação
Climática lançou recentemente um concurso para a revisão do PRAC,
prevendo um investimento de 400 mil euros para garantir a sua
atualização, o alinhamento com os instrumentos normativos europeus e a
consolidação de uma abordagem integrada para a mitigação e adaptação”,
explicou.Adicionalmente, o projeto LIFE IP CLIMAZ, iniciado em 2021,
representa um investimento de 20 milhões de euros ao longo de 10 anos,
com ações concretas e coordenadas em todas as nove ilhas do arquipélago.Outro
avanço significativo foi a conclusão da rede de radares meteorológicos
dos Açores, permitindo a emissão de avisos tempestivos e reforçando a
capacidade de prevenção e resposta a fenómenos meteorológicos extremos.Com
estes investimentos e medidas, os Açores reforçam a sua liderança
enquanto território-modelo na resposta às alterações climáticas,
comprometido com a ciência, a sustentabilidade e o futuro.